TAP cancela voos e deixa centenas de passageiros sem informação pela noite dentro

Aeroporto tap rómulo
Ontem, era este o cenário do Aeroporto da Madeira, com os passageiros à espera de informações noite dentro. Foto DR

Sexta feira, 5 de junho. Véspera de um fim de semana e um dia habitualmente concorrido em termos de viagens aéreas. No Aeroporto Internacional da Madeira, os passageiros esperavam e desesperavam pela saída dos voos há muito agendados e pagos. A não menos típica ventania que costuma envolver o Aeroporto fazia sentir-se e deixava os passageiros em suspense, antevendo o pior. As horas passavam e a longa espera aumentava. O cidadão Freitas era um dos muitos passageiros da TAP que aguardavam, de bilhete na mão com destino a Lisboa e sem respostas dos serviços.

O pior veio a acontecer. A partir das 16 horas, todos os voos da Transportadora Portuguesa foram cancelados. Os ventos fortíssimos, cruzado,  impediam a descolagem das aeronaves. A gare do Aeroporto volta a transformar-se num improvisado “parque de campismo”.  Centenas de passageiros aguardavam, de pé, por uma informação dos seus voos e o pessoal ao balcão não tinha capacidade de resposta.

00h00 e a madrugada de sábado já a começar. Uma longa fila de passageiros com bilhete comprado à TAP atravessava a sala do aeroporto – como documenta a foto que nos foi enviada pelo passageiro Freitas – ainda à espera de alternativas para deixar a Madeira. Segundo o passageiro Neves, apenas 3 funcionários da Groundforce estavam ao balcão para informar centenas e centenas de passageiros exaustos da longa espera, preocupados com os compromissos que tinham adiado e saturados do mau serviço prestado pela companhia nacional perante um fenómeno de cancelamento de voos que já vai sendo demasiado habitual, mas cuja resposta dos serviços deixa sempre a desejar.

O passageiro Freitas, também esgotado da longa espera e da falta de soluções concretas da companhia, desistiu e regressou a casa. Uma atitude que deve ter sido secundada por tantos outros passageiros anónimos que, além de desembarcarem preços elevados para viajar dentro do seu próprio país, têm de lidar com os contratempos meteorológicos que afetam com regularidade os voos e, sobretudo, com um serviço que falha pela falta de informação atempada e cordial ao passageiro e apresentação inequívoca de alternativas de voos.

Uma vez regressado a casa, o passageiro relatou o caso ao Funchal Notícias, socorreu-se das redes sociais da companhia para pedir o reembolso, que foi imediato, onde também fez constar a sua reclamação. O serviço “on line”, tudo parece muito simples e cordato. A TAP pede desculpas pelo incómodo causado, apela a que o passageiro cancele o check in do voo de regresso e pede os dados de identificação para proceder ao reembolso da viagem e, caso haja reclamação, que a mesma seja enviada para o “Fale Connosco”. No entanto, dificilmente a TAP compensa os transtornos causados por sucessivos cancelamentos e o desgaste físico e emocional de estar numa gare quase irrespirável à espera de uma informação mais ou menos objetiva.

Curiosamente, este ano tem sido pródigo no cancelamento de voos motivados pelo mau tempo. Os residentes na área de Santa Cruz e Machico têm constatado uma intensidade anómala dos ventos que talvez valesse a pena os serviços de meteorologia e as companhias estudarem o caso. Os passageiros compreendem que as companhias não poderão arriscar a descolagem quando o tempo não o recomenda e também sabem que ninguém põe e dispõe no tempo. Mas, como se trata de uma situação frequente, os clientes regulares da TAP consideram que já vai sendo tempo de a companhia ter um serviço mais pronto e eficiente no esclarecimento e orientação dos seus passageiros, evitando que permaneçam horas sucessivas em pé à espera de…regressarem a casa.