A Cultura, esse parente pobre de tudo – desde a própria comunicação social aos programas de Governo – terá, neste cenário de crise, em que definha, asfixiada, uma luz ao fundo do túnel, a acreditar nas palavras pronunciadas hoje pelo secretário regional da tutela, Eduardo Jesus, no Parlamento. É que, apesar da situação catastrófica em que se encontra a produção cultural da Região, desde a produção oficial aos agentes culturais, o governante não se cansou de enfatizar que, neste governo, a Cultura é uma prioridade e será entendida como transversal a todos os sectores, como um aspecto estruturante da economia e que tem de ser posto não só ao serviço do turismo, mas também dos habitantes da RAM.
As intenções são bonitas e não poderiam ser declaradas de forma mais positiva. Resta ver os resultados práticos, pois só quem não sabe as dificuldades com que se debatem os promotores de actividades culturais na Região no actual enquadramento, dramático para as famílias, é que pode sustentar perspectivas paradisíacas no futuro imediato.
Mesmo assim, no seu discurso, Eduardo Jesus comprometeu-se a transformar a comemoração dos 600 anos da descoberta da Madeira num projecto que atravessará a sociedade madeirense, alcançando visibilidade nacional e mesmo internacional; a afirmar o nome do arquipélago no país e no estrangeiro; a salvaguardar a responsabilidade pública na correcta definição das políticas culturais, de modo a que estas contribuam para a preservação e maior divulgação das heranças patrimoniais; a apostar na criação de medidas que, reforçando a fruição cultural e a formação de novos públicos, potenciem, simultaneamente, o conhecimento, a inovação, o emprego a investigação e o empreendedorismo; e a reavaliar o papel do sector público no diálogo com os privados e no apoio à criação [resta ver de que maneira].
O Governo pretende também, declaradamente, incentivar o papel das indústrias criativas e rentabilizar as oportunidades de negócio ligadas ao domínio digital, tendo em linha de conta os recursos existentes, os públicos a atingir e o retorno dessas apostas.
Eduardo de Jesus quer apoiar e incentivar a descentralização cultural a todos os concelhos, através da maior dinamização das diversas estruturas existentes em toda a ilha, tuteladas ou não pelo Governo.
E afirma que quer apostar no desenvolvimento de programas de promoção cultural, em parceria com as autarquias, fundações e associações existentes na Região.
Finalmente, o secretário regional da Economia, Tuirismo e Cultura declara pretender promover o relacionamento intercultural com as demais culturas, provenientes da emigração e da imigração, de modo a que a cultura possa desempenhar, na Região, “um papel de integração e unificação social”.
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