Machico recua 500 anos no tempo

Silvia Ornelas (texto e fotos)

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Imagem da exposição no Madeira Shopping.

O que começou, há dez anos, como um simples projeto do grupo de história da Escola Básica e Secundária de Machico, é agora um dos maiores eventos do concelho, reunindo o apoio de diversos parceiros e aliando na organização a Câmara Municipal.

O Mercado Quinhentista, que acontece de 5 a 7 de junho, cresceu e, em cada edição, ultrapassa as expectativas, revela Ricardo Caldeira, da comissão organizadora. “É fácil percebermos porque é que se tornou num grande evento, porque tivemos a ideia de envolver as escolas e as instituições”, adiantou.

Neste momento, só da Escola Básica e Secundária de Machico colaboram entre 450 a 600 pessoas. A estas juntam-se participantes de outras escolas do concelho, grupos e associações, tornando-se, segundo Ricardo Caldeira, num projeto com “o qual as pessoas se identificam” e também “com uma identidade diferente de todas as outras festas”. Daí que a preocupação da comissão organizadora seja “manter essa identidade”, não só do projeto em si, mas das questões históricas. Cada edição é subordinada a um tema específico, o que impõe uma pesquisa prévia, de modo a que toda a informação transmitida e toda a encenação durante o evento corresponda o mais aproximadamente possível à realidade da época quinhentista.

IMG_2512Celebrando os 500 anos da passagem de vila a concelho, o tema deste ano diz respeito ao foral que permitiu essa elevação. “Neste momento, nós temos todos os participantes e colaboradores a serem informados, antes dos três dias de festa, sobre o que é que se vai passar, porque é que se está a celebrar aquele momento, como é que era na altura, em 1515 o que é que aconteceu.” Fica a aula de história, sublinha Ricardo Caldeira, e também a aposta na edução fora das quatro paredes da sala de aula.

Contudo, o Mercado Quinhentista é muito mais abrangente do que o envolvimento das escolas. É também uma forma de “valorizar o legado histórico” do concelho, recordando as histórias antigas. “Na altura nós éramos a principal localidade da Madeira e isso é importante dizer”, lembra o professor da Escola Básica e Secundária, acrescentando que Machico era também a sede de capitania mais importante, tendo recebido a primeira carta de doação.

Nas últimas edições, há a registar a adesão da população, que já se começa a vestir com o traje da época, e também de alguns turistas que se informam com antecedência em relação à data do evento para que também eles possam participar, vestidos a rigor.

Durante o evento, há também uma grande preocupação em manter a genuinidade da realidade da época. As tendas vendem apenas um produto, existente na altura, as bebidas são servidas em copos de barro, comprados previamente, os ofícios revelam o artesanato que se fazia naquele período da nossa história. Tudo o que seja fora de época está proibido nos espaços e nos adereços dos participantes.

O Mercado Quinhentista tem início com a visita das entidades oficiais, no dia 5 de junho, pelas 16 horas. Nesse mesmo dia, pelas 21 horas, realiza-se o Cortejo em honra dos Homens-bons da Vila, com partida da Misericórdia.

No dia seguinte, outro ponto alto do evento acontece a partir das 16h30 com o Desembarque da Nau Santa Maria, seguido do Cortejo de receção dos enviados d`El Rei, a partir do Cais de S. Roque.

Nos três dias, haverá muita animação, que inclui música, dança, saltimbancos e a participação de dois grupos de fora da Região, os Vivarte, de recreação histórica, e os Sons da Serra.

Integrados também na Feira estão um concurso de fotografia, uma exposição no MadeiraShopping, que já decorre, e um Colóquio a realizar no dia 16 de maio, no auditório da Escola Básica e Secundária de Machico, este ano com o tema ‘Escritos e Ícones para História’.

Todas as informações relativas ao evento, incluído o programa, poderão ser encontradas no sítio da Internet: https://mercadoquinhentista.wordpress.com.