Vereadores do JPP criticam “calote” do Governo Regional aos municípios

Os vereadores do Juntos Pelo Povo (JPP), na Câmara Municipal do Funchal, defendem que os cerca de 4,3 milhões de euros que caberiam ao município se o Governo Regional cumprisse com a lei da participação das autarquias na receita do IVA, em vigor desde 2020, seja aplicado no reforço dos apoios ao arrendamento para famílias, classe média trabalhadora e jovens.

Fátima Aveiro e António Trindade recordam que a lei vigora no território continental desde 2020 e nos Açores desde 2023, “mas na Madeira o Governo Regional PSD/CDS continua sem a regulamentar, retém uma verba que não é sua e inviabiliza que os municípios possam desenvolver projectos para melhorar a qualidade de vida dos seus munícipes”, acusa.

Os autarcas do JPP declaram que os montantes em dívida, entre 2020 e 2026, devem ser recuperados e colocados ao serviço dos funchalenses. A este montante acresce uma estimativa de 749.290,45 euros para o ano 2027, uma verba calculada a partir do modelo que já vigora nos Açores desde 2023.

Perante a crise habitacional que afecta o Funchal, os vereadores consideram que esta receita deve ser canalizada, desde logo, para reforçar o Subsídio Municipal ao Arrendamento, aumentando o valor do apoio atribuído às famílias e o teto máximo da renda elegível.

“O objectivo é permitir que mais pessoas tenham acesso à medida e que o apoio acompanhe melhor os preços atualmente praticados no mercado”, explicam: “A habitação não pode continuar a ser um luxo para quem trabalha. Há jovens, trabalhadores e famílias da classe média que, apesar de terem emprego e rendimentos, enfrentam enormes dificuldades para pagar uma casa”.

Para o JPP, a concretização desta transferência depende exclusivamente de uma decisão política do PSD/CDS, que tem maioria na Assembleia Legislativa da Madeira e lidera o Governo Regional e a Câmara Municipal do Funchal:

“Existem um modelo e uma solução legislativa já aplicados nos Açores. Falta vontade política para garantir aos municípios madeirenses uma receita que a lei lhes reconhece. É também uma questão de respeito pela autonomia financeira das autarquias e pelas populações que representam.”

Fátima Aveiro e António Trindade acrescentam que este é também “o momento certo” para lembrar que PSD e CDS “muito gostam de se afirmar autonomistas nos discursos e perante Lisboa, mas na Madeira, ao longo dos anos, não têm feito outra coisa se não centralizar tudo o que são receitas, mesmo quando a lei diz que não lhes pertencem, num total desrespeito pelo poder local e pelas populações”.

Os vereadores do JPP referem que a canalização das verbas em dívida do IVA para o sector da habitação, “é para testar se, efectivamente, PSD e CDS tratam a habitação com a urgência e a prioridade que a situação exige”.

“Não basta anunciar medidas ou falar da crise habitacional. É preciso disponibilizar recursos e tomar decisões. O dinheiro que pertence ao Funchal deve servir os funchalenses e pode fazer a diferença na vida de muitas famílias. Os vereadores do JPP querem transformar uma receita que continua por entregar em mais apoio, rendas mais abrangidas e respostas concretas para quem precisa de uma casa”, terminam.


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