Rui Marote
É inadmissível o estado a que deixámos chegar a Rua da Sé. Uma artéria colada ao coração da nossa história e identidade transformou-se num verdadeiro “ranchito” urbano, onde o desleixo e a falta de ordenamento imperam à vista de todos. Nas paredes dos edifícios históricos, os cabos de telecomunicações multiplicam-se em autênticas “teias de aranha” que asfixiam a estética da rua. Como se não bastasse a poluição visual, assistimos à descaracterização agressiva do comércio, com estendais de roupa na via pública e a destruição de património azulejar — como o da antiga Casa Tavares.
Para piorar, a promessa de uma rua pedonal tornou-se uma armadilha de obstáculos. Entre os pinos de ferro permanentes e, agora, a instalação de postes para a iluminação de Natal, caminhar por aqui transformou-se num desporto de obstáculos. Como é que um idoso, um cidadão com mobilidade reduzida ou um pai com um carrinho de bebé devem circular numa rua que, teoricamente, foi fechada ao trânsito para dar prioridade às pessoas?
O turismo e a actividade comercial não podem servir de desculpa para vandalizar a nossa herança cultural nem para bloquear o direito de ir e vir dos cidadãos. Urge uma intervenção firme da fiscalização e das autoridades competentes. A nossa história merece respeito. Nós, que aqui vivemos e caminhamos, também.
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