Os deputados do Partido Socialista alertam para a necessidade de uma maior aposta governativa na promoção da alimentação saudável e do reforço do número de nutricionistas no sistema público de saúde, nos estabelecimentos de ensino e instituições de apoio social.
Os socialistas, que estiveram reunidos com a delegação regional da Ordem dos Nutricionistas, chamam a atenção para os preocupantes aumentos dos índices de excesso de peso na população, considerando fundamental reforçar a importância da nutrição nas políticas públicas da Região, apostando na prevenção da doença, na promoção de hábitos alimentares saudáveis e na melhoria do acesso ao acompanhamento nutricional, através de uma intervenção articulada entre as áreas da saúde, educação e acção social.
O PS dá conta de um estudo realizado entre 2024 e 2025, que mostra que 63,4% dos adultos entre os 18 e os 65 anos tinham excesso de peso e que 27,6% eram obesos. Já entre os mais novos, os dados da Organização Mundial de Saúde, referentes a 2021/2022, mostravam que 32,9% das crianças madeirenses entre os 6 e os 8 anos apresentavam excesso de peso, estando 14,9% com obesidade, valores que eram superiores às médias nacionais.
Mais recentemente, os dados do Inquérito Nacional de Saúde de 2025, divulgados pela Direção Regional de Estatística, revelaram que 40,3% das crianças dos 5 aos 14 anos apresentavam excesso de peso ou obesidade, com a prevalência de obesidade a atingir os 19,5%, significativamente acima dos 12,9% registados a nível nacional.
Estes são indicadores que, no entender da deputada Isabel Garcês, revelam a necessidade de “apostar numa verdadeira política de prevenção, com intervenção precoce, acompanhamento nutricional das crianças e famílias e uma maior articulação entre os serviços de saúde, as escolas e a comunidade”.
A parlamentar recorda, a propósito, que o PS apresentou na Assembleia Legislativa da Madeira um projecto de resolução a recomendar ao Governo Regional a implementação da gratuitidade universal das refeições escolares nas creches, na educação pré-escolar e no 1.º ciclo do ensino básico, abrangendo os estabelecimentos públicos e aqueles com contrato de associação.
A proposta preconiza não apenas a gratuitidade das refeições, mas também o reforço da sua qualidade, diversidade e valor nutricional, a promoção da educação alimentar nas escolas e junto das famílias, bem como a avaliação do impacto destas medidas na saúde infantil, no sucesso educativo e na redução das desigualdades sociais.
Nesta senda, os socialistas consideram essencial avaliar a capacidade de resposta na área da nutrição não apenas no SESARAM, mas também nos setores da educação e da acção social. “Importa conhecer a distribuição dos nutricionistas pelos hospitais, centros de saúde, estabelecimentos de ensino e instituições de apoio social, identificar as necessidades de reforço de recursos humanos e garantir o acesso ao acompanhamento nutricional adequado em cada uma destas áreas”, refere por seu lado, a deputada Marta Freitas.
Segundo a parlamentar, importa valorizar o papel dos nutricionistas nas estruturas residenciais para pessoas idosas, nos centros de dia, nos serviços de apoio domiciliário e noutras respostas sociais, assegurando uma alimentação adequada às necessidades específicas desta faixa populacional.
Outra das preocupações abordadas na reunião diz respeito às dificuldades na realização de estágios profissionais de acesso à Ordem dos Nutricionistas na Madeira, que podem comprometer a entrada de novos profissionais no mercado de trabalho regional e dificultar a sua fixação.
Para fazer face aos constrangimentos, o PS considera necessário atualizar e melhorar os mecanismos de financiamento e apoio aos estágios, à semelhança das soluções existentes nos Açores e no Continente, fazendo com os jovens licenciados também tenham interesse em estagiar na Região. No entender dos socialistas, esta seria uma forma de atrair e fixar novos nutricionistas na Região, assegurando a renovação dos profissionais e reforçando a capacidade de resposta dos serviços.
Conforme sublinham as deputadas, investir em nutrição é investir em saúde pública, pelo que o Governo Regional deve apresentar um diagnóstico actualizado das necessidades de nutricionistas nos sectores da saúde, educação e ação social, reforçar a integração destes profissionais nas respostas públicas e desenvolver medidas de prevenção nutricional dirigidas às crianças, às famílias e à população idosa.
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