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Cristiano Ronaldo anunciou hoje a sua saída da Seleção Nacional, pouco mais de um mês após ter assegurado, em comunicado, que estaria disponível para “competir e ganhar” por Portugal após cumprir a suspensão que lhe foi aplicada. A decisão transforma uma promessa pública feita a 6 de outubro num contraste difícil de ignorar.
Na altura, o capitão escreveu: “Portanto, se estiver bem fisicamente, a jogar no meu clube, com golos espero, a seguir ao cumprimento da suspensão que me for aplicada, estarei disponível, como sempre estive até hoje, para competir e ganhar pela nossa Seleção.” A mensagem foi apresentada como um pedido de desculpa aos adeptos e companheiros, depois do abandono do estágio da Seleção e da rutura com o selecionador Jorge Jesus.
A frase era, em rigor, condicional: dependia do estado físico, da situação no clube e do cumprimento da sanção. Nesse sentido, não é possível afirmar, com base apenas no texto, que Ronaldo mentiu quando o escreveu. A suspensão terminou a 30 de outubro e o avançado continuava em atividade, pelo que as condições estavam aparentemente reunidas para uma eventual convocatória em novembro.
O anúncio de hoje, porém, altera substancialmente o significado daquela declaração. Ao decidir deixar definitivamente a Seleção, Ronaldo afasta-se da disponibilidade que tinha prometido e deixa em suspenso a promessa de regresso que tinha tentado acalmar a polémica do início de outubro. Aos portugueses que leram a carta como um compromisso de continuidade, resta agora a imagem de uma despedida que chegou sem o regresso anunciado.
A questão que se coloca não é apenas desportiva, mas também de confiança. Se a decisão de sair já estava tomada quando o comunicado foi divulgado, a promessa de disponibilidade terá sido enganosa. Se, pelo contrário, resultou de uma mudança posterior — motivada pela ausência de confiança no ambiente à volta da Seleção ou pela relação com Jorge Jesus —, trata-se de uma reversão de posição, ainda que particularmente abrupta.
Seja qual for a versão, o facto permanece: Cristiano Ronaldo garantiu que estaria disponível “como sempre estive” e, um mês depois, escolheu deixar de estar. Para um jogador que fez da defesa da camisola nacional parte central da sua identidade pública, a saída chega envolta numa contradição que dificilmente será esquecida.
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