Sarampo regressa aos Estados Unidos num cenário de menor confiança nas vacinas

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Os Estados Unidos enfrentam o pior surto de sarampo em mais de três décadas. Desde o início de 2026, os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) registaram 43 surtos e 4.852 casos confirmados até 30 de outubro, num país onde a doença era considerada eliminada em 2000.

O agravamento coincide com o regresso de Donald Trump à Casa Branca e com a nomeação de Robert F. Kennedy Jr., conhecido pelas suas posições críticas em relação às vacinas, para secretário da Saúde. Desde então, foram contabilizadas sete mortes associadas ao sarampo — três em 2025 e quatro reportadas pelas autoridades estaduais em 2026 — um número sete vezes superior ao verificado nos 20 anos anteriores.

A última vítima conhecida foi uma criança no estado de Nova Iorque, a primeira morte por sarampo naquele estado em mais de 30 anos. As autoridades locais confirmaram o óbito no início de novembro, no contexto de um surto que continua a espalhar-se.

Uma doença evitável

O sarampo é altamente contagioso, mas fácil prevenir através da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, papeira e rubéola. A maioria dos casos registados nos EUA envolve pessoas não vacinadas ou com estado de pessoas vacinadas desconhecido, segundo os dados oficiais.

Especialistas sublinham que a queda da cobertura de pessoas vacinadas não começou com a atual administração: tem vindo a registar-se há vários anos, alimentada por desinformação, hesitação em vacinar-se e interrupções nos serviços de saúde. Ainda assim, alertam que a retórica cética do Departamento de Saúde e Serviços Humanos pode agravar a desconfiança pública e dificultar a resposta às epidemias.

A Organização Mundial de Saúde já manifestou preocupação com alterações na política de vacinação norte-americana, considerando que algumas medidas contrariam a evidência científica disponível.

Números que exigem resposta

Em apenas seis meses de 2026, os EUA ultrapassaram o total de casos registados durante todo o ano de 2025, quando foram contabilizados 2.289 casos. Até 23 de julho, o país já tinha 2.295 casos, e no final de outubro o total chegava a 4.852.

Para os especialistas em saúde pública, a mensagem é clara: sem uma recuperação rápida das taxas de vacinação e sem uma comunicação governamental baseada na ciência, o sarampo pode continuar a avançar. A doença, que muitos consideravam um problema do passado, voltou a colocar os Estados Unidos perante um desafio sanitário evitável.


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