Nos últimos dez anos, o arrendamento tornou-se progressivamente mais caro em quase toda a Europa, mas com dinâmicas muito distintas entre países. Na UE, as rendas subiram 21,8% entre 2015 e o terceiro trimestre de 2025, enquanto os preços de compra aumentaram 64,9%; em Portugal, os preços de compra subiram 180%, muito acima da média europeia.
A evolução recente pode resumir-se em três fases: crescimento moderado após a crise financeira, aceleração intensa a partir de 2015 e, em alguns mercados, sinais de abrandamento em 2025 — sem correção generalizada dos preços.
União Europeia: subida contínua
Entre 2010 e o primeiro trimestre de 2025, as rendas na UE aumentaram 27,8%, com subidas em 26 dos 27 Estados-membros; apenas a Grécia registou descida. No terceiro trimestre de 2025, as rendas cresceram 3,1% face ao ano anterior e, no quarto trimestre, 3,2%, mostrando que a pressão se manteve.
A evolução das rendas foi mais estável do que a dos preços de compra: enquanto estas sofreram quedas, estagnação e picos de crescimento, aquelas aumentaram de forma quase contínua.
Portugal: novas rendas a acelerar
Em Portugal, o mercado de novos contratos de arrendamento registou uma subida acentuada. No primeiro trimestre de 2025, a renda mediana dos novos contratos atingiu 8,22 euros/m², mais 10% do que no período homólogo de 2024; no conjunto do ano, subiu para 9,29 euros/m², um aumento de 9,7% face a 2024.
Ao mesmo tempo, o número de novos contratos caiu 10,4% no primeiro trimestre de 2025, o que sugere menor rotação e menor oferta disponível para quem procura casa. As pressões concentraram-se sobretudo em Lisboa, onde a renda mediana atingiu 16,88 euros/m² em 2025, e na Grande Lisboa, com 14,19 euros/m².
| Indicador | Evolução recente | Leitura |
|---|---|---|
| Renda mediana de novos contratos em Portugal | 8,22 euros/m² no 1.º trimestre de 2025; 9,29 euros/m² no conjunto do ano | Aumento de 10% e 9,7%, respetivamente |
| Grande Lisboa | 13,16 euros/m² no 1.º trimestre; 14,19 euros/m² em 2025 | Entre as zonas mais caras do país |
| Lisboa | 16,00 euros/m² no 1.º trimestre; 16,88 euros/m² em 2025 | Renda mediana mais elevada do país |
| Área Metropolitana do Porto | 9,12 euros/m² no 1.º trimestre; 10,17 euros/m² em 2025 | Pressão forte, mas abaixo de Lisboa |
| Novos contratos | Menos 10,4% no 1.º trimestre de 2025 | Menor rotação e oferta mais escassa |
Espanha: subida forte, ritmo a abrandar
Em Espanha, a renda média passou de 558 euros por mês em fevereiro de 2015 para 1.083 euros em fevereiro de 2025, um aumento acumulado de 94% em dez anos. Por metro quadrado, o preço médio subiu de 6,97 para 13,54 euros/m².
Nos últimos cinco anos, o encarecimento acumulado foi de 30%, mas 25 pontos percentuais concentraram-se apenas nos dois anos mais recentes. Em 2025, a subida anual fixou-se em 6,9%, inferior às taxas de dois dígitos registadas em parte de 2024 e no início de 2025.
| Indicador | 2015 | 2025 | Variação |
|---|---|---|---|
| Renda média mensal em Espanha | 558 euros | 1.083 euros | +94% em dez anos |
| Preço médio por m² | 6,97 euros/m² | 13,54 euros/m² | +94% |
| Subida anual em 2025 | — | 14,21 euros/m² em dezembro | +6,9% face a 2024 |
| Madrid | — | Primeira descida mensal em novembro de 2025 | Fim de 45 meses consecutivos de máximos |
Sinais de mudança, não de alívio
Em Espanha, há indícios de abrandamento nos mercados mais maduros: Madrid registou, em novembro de 2025, a primeira descida mensal de rendas em quase quatro anos. Contudo, a pressão deslocou-se parcialmente para regiões anteriormente menos tensionadas, e os preços continuam muito acima dos níveis de há uma década.
Em Portugal, não há sinais comparáveis de arrefecimento: as rendas dos novos contratos continuaram a subir perto de 10% em 2025, enquanto o volume de novos contratos diminuiu. Isso indica que o problema principal já não é apenas o preço das rendas existentes, mas a dificuldade em encontrar habitação disponível a preços compatíveis com os rendimentos locais.
O efeito para quem procura casa
A combinação de rendas elevadas, menor rotação e forte procura urbana reduziu o poder de escolha dos inquilinos. Em Portugal, um novo contrato em Lisboa pode custar mais de 80% do rendimento médio local; em Espanha, Madrid e Barcelona aproximam-se ou ultrapassam esse limiar quando se consideram apartamentos maiores.
Em consequência, a partilha de casa, a permanência prolongada na casa dos pais e a procura em periferias cada vez mais distantes tornaram-se respostas estruturais — e não situações transitórias — para muitos jovens.
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