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Perante rendas que consomem grande parte do salário, os jovens europeus recorrem sobretudo a quatro alternativas: continuar em casa dos pais, partilhar habitação, procurar habitação social ou estudantil e deslocar-se para zonas periféricas. Em Espanha, alugar sozinho pode consumir 98,7% do salário líquido médio de um jovem, enquanto partilhar casa reduz o esforço para 33,6%.
A tendência é clara: o arrendamento por quartos cresceu fortemente e deixou de ser uma fase transitória da vida estudantil. Em Espanha, a oferta de quartos aumentou 20% em 2025 face a 2024 e 85,4% desde 2022.
Partilha de casa
A partilha é hoje a alternativa mais procurada por quem precisa de viver longe da família, mas não consegue arrendar um apartamento inteiro. Em Espanha, os jovens entre os 18 e os 25 anos representam cerca de metade da procura de quartos, e o preço médio subiu de 267,79 euros em 2021 para 498,20 euros em 2026 — um aumento de 86% em cinco anos.
O problema é que a partilha também perdeu acessibilidade. Uma habitação em Espanha custa em média cerca de 508,69 euros por mês, mas em Barcelona pode atingir 626 euros e em Madrid 600 euros.
| Alternativa | Procura e dimensão | Vantagem principal | Limite principal |
|---|---|---|---|
| Partilha de casa ou quarto | Oferta de quartos em Espanha cresceu 20% em 2025 e 85,4% desde 2022 | Reduz o custo face ao arrendamento individual | Um quarto já representa 33,6% do salário médio jovem |
| Permanência na casa dos pais | Continua a ser a opção dominante para quem não consegue pagar renda | Permite poupar e manter mobilidade | Adia autonomia, relações e projetos de vida data. |
| Habitação social e apoios à renda | Importante em vários países da UE, mas com capacidade limitada | Renda mais estável e acessível | Não alcança todos os elegíveis e a oferta é insuficiente |
| Residências estudantis | Prioridade do plano europeu de habitação acessível | Proximidade ao estudo e custos mais previsíveis | Escassez e forte procura nas cidades universitárias |
| Co-living | Oferta profissionalizada com serviços incluídos | Flexibilidade e acesso a zonas centrais | Preço pode ser elevado e qualidade variável |
| Periferias e cidades vizinhas | Crescente procura por habitação mais barata | Rendas inferiores | Maior tempo e custo de deslocação |
| Cooperativas de habitação em cessão de uso | Modelo em expansão em Catalunha e País Basco | Propriedade coletiva e rendas mais estáveis | Exige organização, capital inicial e tempo |
| Convivência intergeracional | Programas como o Convive, em Madrid | Habitação a custo muito reduzido em troca de companhia | Não substitui política pública de habitação |
Ficar em casa dos pais
Continuar a viver com os pais é, para muitos jovens, a alternativa por defeito. O Conselho da UE sublinha que uma parte significativa dos jovens permanece no domicílio familiar por necessidade, e não por escolha, porque a independência financeira está fora do alcance.
Esta opção permite poupar, mas tem custos sociais e económicos: reduz a mobilidade para emprego ou formação, adia a constituição de família e pode reforçar desigualdades entre quem recebe apoio familiar e quem não o tem.
Habitação social e estudantil
A habitação social e os subsídios à renda continuam a ser fundamentais, mas a Eurofound alerta que a capacidade varia muito entre países e regiões, excluindo grupos vulneráveis e não chegando a todas as pessoas com direito a apoio.
A nível europeu, o Plano Europeu para a Habitação Acessível dá prioridade ao investimento em residências estudantis e a modelos inovadores para jovens móveis, incluindo um programa-piloto no âmbito do Erasmus+ para estudantes desfavorecidos. A Comissão avalia ainda um mecanismo de garantia com o Banco Europeu de Investimento para reduzir ou eliminar a necessidade de caução, uma barreira relevante para jovens sem poupanças.
Modelos emergentes
Para além das soluções tradicionais, crescem modelos como o co-living, o subarrendamento regulamentado e as cooperativas de habitação em cessão de uso. Estas últimas, mais desenvolvidas na Catalunha e no País Basco, baseiam-se na propriedade coletiva: os membros têm direito de uso da habitação mediante uma quota mensal, reduzindo a exposição à especulação imobiliária.
A convivência intergeracional é outra resposta em expansão. Em Madrid, programas como o Convive colocam estudantes em casas de pessoas idosas com quartos vagos; em troca de companhia e algumas horas diárias de convívio, o jovem pode pagar apenas despesas reduzidas, como 50 euros mensais.
O limite das alternativas
A partilha, a periferia e os modelos comunitários ajudam a gerir a crise, mas não a resolvê-la. Quando até um quarto representa mais de um terço do salário jovem, como acontece em Espanha, a questão deixa de ser encontrar uma alternativa mais barata e passa a ser garantir habitação digna, estável e acessível.
Por isso, as organizações juvenis insistem que estas soluções devem ser complementares: podem aliviar a pressão imediata, mas só o aumento da oferta pública e acessível — sobretudo em habitação social, estudantil e de arrendamento a preços controlados — pode devolver aos jovens a possibilidade de viver de forma autónoma.
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