Chegou à Redacção do FN a informação de que um empresário do imobiliário, filho de emigrantes madeirenses
na América Latina e proprietário do antigo edifício da residencial “Colombo”, está dificilmente contactável, deixando os novos proprietários de apartamentos, na maioria estrangeiros, sem escrituras de compra e outros em processo de finalização. Mais soubemos que empreiteiros e sub-empreiteiros se encontram com pagamentos em falta. A indefinição sobre o avanço dos processos de regularização da compra de apartamentos, segundo nos disseram, é muita.
No prédio em questão situam-se 20 apartamentos T1, mais duas lojas, no rés-do-chão e cave. Cada apartamento custa entre 300 e 390 mil euros. A licença de habitabilidade, garantiram-nos, há muito já está concluída na CMF. As escrituras de quem comprou apartamentos naquele local eram para ter sido feitas em Junho. Mas várias fontes disseram ao FN que o empresário não atende o telefone.
Localizada na Rua da Carreira, a antiga residencial Colombo encerrou em Novembro de 2020. O Funchal Notícias dava conhecimento aos seus leitores em Janeiro de 2021 que a mesma se encontrava encerrada de vez. Na altura o proprietário, que explorava este negócio de hotelaria, dizia mesmo que “todas as residenciais estavam condenadas a encerrar”.
A residencial era uma referência, albergando muitas equipas de andebol, basquetebol e de futebol em escalões mais baixos. Era ainda procurada por imensos continentais e cidadãos de países nórdicos. Deixa por isso uma lacuna.
A crise bateu à porta, mas o pior não foi o agravamento do mercado na pandemia da Covid-19, e sim a classificação dos imóveis, em que os seus proprietários são penalizados pelo agravamento do IMI sofrendo aumentos de 300 e 400%, referíamos já anteriormente.
Após um período como prédio devoluto (cerca de quatro anos) o Funchal Notícias a 16 de Agosto de 2024 noticiava:
“Ex -edifício Residencial Colombo reabilitado para habitação”. Afinal a previsão de encerramento que o proprietário fizera não se confirmara e o prédio ganhava nova vida.
O edifício, que fazia anteriormente parte dos 41 devolutos em toda a extensão da Rua da Carreira, era alvo de uma intervenção segundo o pedido de licenciamento “reabilitação e alteração de uso e de afectação para habitação e comércio/serviços” por um período de 18 meses, com a conclusão das obras a 17 de Dezembro de 2026.
Na altura em que noticiámos isto, desejávamos ao novo investidor felicidades por apostar na área de habitação no centro do Funchal. Acompanhámos diariamente a recuperação do edifício uma vez que circulamos na Rua da Carreira várias vezes ao dia. As obras foram concluídas pelo novo investidor, nascido na Venezuela, filho de um emigrante madeirense. O cartaz de uma imobiliária exibe-se numa varanda dos apartamentos, num processo já de revenda,
Mas agora as novas dificuldades são um golpe para os que acreditaram no projecto.
O FN efectuou o contraditório, contactando o advogado do empresário, nomeadamente David Nunes. Falando em nome do empresário, o causídico manifestou-se surpreendido, admitindo que possa ter havido alguma dificuldade nos contactos das pessoas com o empreendedor, mas assegurou que “tudo o que pode ser feito pela promotora para que o processo seja rapidamente concluído, está a ser feito”.
“Não há, da nossa parte, nenhum atraso”, asseverou o advogado, que diz que tem procurado dar todos os esclarecimentos necessários sobre o processo a quem o tem contactado.
“Não há atrasos que nos sejam imputáveis”, declarou. Mais acrescentou que dentro de três meses todos os obstáculos burocráticos deverão estar ultrapassados, quer no que diz respeito a CMF, Finanças, Notário e Registo. Admitiu compreender eventuais preocupações, mas diz que a empresa tem procurado dissipar as mesmas e que o processo está “praticamente no fim”.
“Estão a ser dados todos os devidos passos legais”, afiançou.
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