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16 de setembro de 1732: a noite em que Campo Maior explodiu
Na madrugada de 16 de setembro de 1732, um raio atingiu o paiol de pólvora instalado na torre de menagem do castelo de Campo Maior, no Alto Alentejo, provocando uma das maiores tragédias da história militar e urbana de Portugal. A explosão, seguida de incêndio, arrasou grande parte da vila fronteiriça, matou centenas de pessoas e destruiu o núcleo medieval, marcando para sempre a memória local e a configuração do património edificado.
O que aconteceu
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Quando e onde: Por volta das 3h–4h da madrugada, durante uma violenta trovoada seca (com muitos relâmpagos e poucos ou nenhuns aguaceiros), na vila de Campo Maior, então importante praça-forte virada à fronteira com Espanha.
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O gatilho: Um raio penetrou na torre de menagem do castelo, usada como paiol de pólvora, e detonou o enorme stock de explosivos ali armazenado.
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A dimensão da carga: As fontes variam, mas apontam para quantidades avultadas: entre 6.000 arrobas de pólvora e milhares de munições (granadas e bombas), o que explica a potência da explosão.
Vítimas e destruição
Os relatos da época e estudos posteriores divergem nos números exatos, mas convergem na gravidade:
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Mortos: estimativas entre cerca de 200 e 256 (algumas fontes chegam a referir números mais elevados, próximos de 1.000, mas as mais citadas ficam na faixa dos duzentos e poucos).
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Feridos: mais de 2.000 pessoas terão ficado feridas, num contexto em que a população total da vila era limitada.
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Habitações destruídas: de 1.076 casas registadas, 836 foram pulverizadas ou severamente danificadas; em termos proporcionais, fala-se em mais de metade e até dois terços da vila medieval desaparecendo.
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Património: o castelo, as torres (incluindo a de menagem) e a cerca medieval ficaram severamente danificados ou reduzidos a escombros, levando a que o tecido urbano hoje visível seja, em grande parte, posterior ao século XVIII.
O testemunho de um cronista
Um dos documentos mais citados é a “Notícia do lastimoso estrago…”, escrita pelo eremita agostiniano António Dias da Silva e Figueiredo, natural de Campo Maior, que estava na vila a visitar a família e descreveu o acontecimento quase em tempo real. O seu relato dá dimensão humana ao desastre: o céu “encapotado” desde dias antes, os relâmpagos sucessivos, o impacto do raio na torre e a onda de destruição que se seguiu.
Resposta do poder central
A tragédia mobilizou rapidamente a Coroa:
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D. João V ordenou a reconstrução imediata do castelo e das defesas, incluindo um novo armazém de pólvora, projectado por engenheiros militares como Manuel de Azevedo Fortes.
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Foram enviados recursos financeiros (há referência a 20 mil cruzados de ouro) e 150 soldados vindos de Elvas e Olivença para apoiar nas limpezas e nos trabalhos de socorro.
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A vila beneficiou de alívio de impostos durante dez anos, medida crucial para permitir a reconstrução das casas e a recuperação da vida económica e social.
Por que este episódio importa
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Ponto de viragem urbano: a explosão de 1732 funciona como um “marco zero” na história construída de Campo Maior; grande parte do que se vê hoje no centro histórico é resultado da reconstrução setecentista.
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Lições de segurança militar: o desastre ilustra os riscos de armazenar grandes quantidades de pólvora em estruturas altas e expostas a fenómenos atmosféricos, num tempo sem proteção contra descargas elétricas.
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Memória coletiva: o episódio permanece como referência identitária local, símbolo de resiliência de uma comunidade que “soube reerguer-se e florescer das ruínas”.
Se quiser, posso transformar este texto numa versão mais curta para legenda de rede social, ou num formato de notícia com lead, corpo e box de “números da tragédia”.
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