Lobo Marinho vai para doca seca nas Canárias entre 15 e 22 de Outubro

Segundo uma informação da Porto Santo Line, o navio “Lobo Marinho” terá de ser submetido, entre 15 e 22 de Outubro, a uma intervenção extraordinária no sistema de propulsão do navio, que terá de decorrer em doca seca.

Na sequência de uma avaria registada no passado dia 10 de Setembro, quando o navio Lobo Marinho navegava em direção ao Funchal, nas proximidades do Garajau, será necessária uma intervenção extraordinária no navio. Após a avaliação técnica realizada por um especialista da SCHOTTEL Industries — fabricante alemã e fornecedora do sistema de propulsão (veio propulsor) do Lobo Marinho—, foi determinada a necessidade de realizar uma operação relâmpago através de uma deslocação do navio a um estaleiro dotado de doca seca, condição necessária para a execução dos trabalhos com o navio devidamente imobilizado e no menor espaço de tempo”, refere a PSL.

Está prevista a entrada do Lobo Marinho nos estaleiros da ASTICAN, em Las Palmas de Gran Canaria, no dia 15
de Outubro. A escolha deste estaleiro resulta, designadamente, da sua proximidade geográfica, permitindo assegurar a resolução do problema com celeridade, reduzindo ao mínimo o período de indisponibilidade do navio e, consequentemente, o impacto na operação, refere o comunicado divulgado.

Assim, a PSL prevê que não se realizem viagens entre os dias 14 e 22 de
Outubro, inclusive.

“Até ao início da intervenção, as ligações marítimas continuarão a ser realizadas com uma duração aproximada de 3 horas e 15 minutos, estando esta operação devidamente autorizada pelas autoridades competentes, nomeadamente pela Sociedade Classificadora (DNV) e pela Capitania do Porto do Funchal, garantindo-se todas as condições de segurança necessárias”, prossegue a empresa.

Durante o período de indisponibilidade do Lobo Marinho, e conforme indicações do Governo Regional da Madeira, através da Secretaria Regional da Economia, a Porto Santo Line irá adotar um conjunto de medidas destinadas a minimizar os impactos da interrupção do serviço marítimo regular.

Neste âmbito, será afretado um navio porta-contentores, com o objectivo de assegurar o abastecimento semanal da ilha do Porto Santo. Do mesmo modo, a Porto Santo Line irá disponibilizar – gratuitamente – contentores frigoríficos para armazenamento de produtos frescos no Porto Santo.

Paralelamente, a Porto Santo Line irá contratar à Binter a disponibilização de 100 lugares por dia, correspondentes a 50 lugares em cada sentido, mediante disponibilidade, destinados aos residentes no Porto Santo, à semelhança do procedimento adoptado durante os períodos de manutenção anual.

Os passageiros com reservas para o período abrangido pela interrupção poderão proceder à alteração da data da viagem sem qualquer custo adicional. Será igualmente disponibilizada a possibilidade de reembolso integral das viagens, caso os passageiros optem pelo cancelamento das respetivas reservas.

A razão pela qual esta correção não pode ser realizada com o navio na Madeira, solução que foi amplamente estudada, prende-se com a necessidade de o navio permanecer completamente imobilizado e em seco durante a intervenção. Esta condição é indispensável para garantir a segurança da intervenção e evitar a deslocação do veio propulsor após o seu desacoplamento, o que poderia comprometer a estanquidade do sistema, explica a PSL.

Segundo a SCHOTTEL Industries, este tipo de avaria — o colapso da vara que liga o veio propulsor da máquina de estibordo — é extremamente raro e associado a factores externos ao normal funcionamento do navio. Não tendo sido identificadas outras anomalias no Lobo Marinho, admite-se que a avaria tenha sido provocada pelo contacto da hélice com um elemento externo, como pneus, cabos, remos ou outros objectos, podendo causar perturbações significativas, incluindo o bloqueio temporário do sistema de passo e o consequente desequilíbrio do veio e/ou hélices.
Esta hipótese assume particular relevância tendo em consideração que já foram registados três eventos com características semelhantes com o Lobo Marinho, envolvendo pneus, tendo-se verificado, num desses casos, o entrelaçamento de um cabo na hélice. Atendendo à posição da máquina, a estibordo, é possível considerar que estes objectos possam encontrar-se com maior probabilidade junto ao cais do Funchal, correspondente ao lado de atracação do Lobo Marinho neste porto. No Porto Santo, pelo contrário, a atracação é efetuada pelo lado oposto, a bombordo.

Trata-se, assim, de uma situação extraordinária, decorrente de uma causa externa e num componente cuja verificação, segundo o protocolo da Sociedade Classificadora, apenas estaria prevista para 2028. A intervenção consistirá na substituição integral da peça, garantindo a fiabilidade da reparação e o enquadramento na garantia do fabricante.

A Porto Santo Line di estar, assim, a actuar no sentido de assegurar a resolução da avaria com a máxima celeridade,
reduzindo ao mínimo indispensável o período de indisponibilidade do navio e minimizando o impacto da situação
na operação e na continuidade do serviço.


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