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O avião presidencial ucraniano foi obrigado a adiar a descolagem da Moldávia após um drone de ataque russo violar o espaço aéreo moldavo e romeno, num episódio que o primeiro-ministro norueguês classificou como um risco direto à vida de Volodymyr Zelensky.
Um drone de longo alcance de fabrico russo, do tipo Shahed/Geran, penetrou na noite de 8 de setembro no espaço aéreo da Moldávia, vindo da direção da Ucrânia, e foi depois detetado também sobre a Roménia, deflagrando um alerta de segurança máximo nas autoridades de aviação e defesa. O aparelho acabou por cair e explodir a cerca de 160 quilómetros do aeroporto de Chișinău, mas a ameaça foi suficiente para obrigar ao encerramento preventivo do espaço aéreo moldavo e ao adiamento de vários voos, incluindo o do presidente ucraniano, que seguia para Oslo para o funeral do rei Harald V.
No dia seguinte, o primeiro‑ministro norueguês, Jonas Gahr Støre, afirmou em entrevista à NRK que o avião de Zelensky “quase foi atingido” pelo drone durante a descolagem, sublinhando que “essa é a realidade em que ele vive”. O gabinete de Støre precisou depois que houve uma “ameaça de drone” no espaço aéreo moldavo que atrasou o voo, mas que não há confirmação oficial sobre a distância exata a que os aparelhos não tripulados passaram da aeronave presidencial.
Fontes próximas à presidência da Moldávia e à equipa de Zelensky classificaram como “exageradas” as interpretações de que tenha havido um risco iminente de abate em pleno voo, insistindo que o episódio confirmou, sobretudo, a vulnerabilidade do espaço aéreo regional face às incursões russas de longo alcance. Até ao momento, não foram divulgados dados que indiquem que o drone tivesse sido especificamente direcionado para a aeronave ucraniana; as investigações em curso focam‑se na origem, trajetória e operadores do aparelho.
O incidente insere‑se num padrão recente de violações de espaço aéreo por drones russos na Moldávia e na Roménia, frequentemente associadas a vagas de ataques contra a Ucrânia, e que têm sido lidas como testes às defesas aéreas da NATO e como demonstrações de capacidade de projetar risco para fora das fronteiras ucranianas. Para analistas, o episódio reforça a pressão sobre Chișinău e Bucareste para acelerarem a integração em sistemas de deteção e interceptação de drones e para clarificarem, em coordenação com a Aliança, as regras de engajamento contra alvos não tripulados hostis em espaço aéreo aliado.
Do ponto de vista diplomático, a declaração de Støre funciona também como sinal político: lembra que a liderança ucraniana opera sob ameaça constante e que a Rússia já coloca em risco, na prática, a segurança de chefes de Estado em espaço aéreo de países terceiros, mesmo sem um ato formal de guerra contra a NATO.
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