O Bloco de Esquerda, através da deputada Andreia Galvão, vai dirigir questões ao Ministério da Cultura sobre o futuro da casa e atelier de Lourdes Castro, actualmente colocados à venda por 4,1 milhões de euros, informa o partido.
Para o Bloco de Esquerda, “é incompreensível que um espaço com a importância cultural e artística da casa onde Lourdes Castro viveu e trabalhou possa ficar entregue à lógica do mercado imobiliário, sem que exista, até ao momento, uma resposta pública clara sobre o seu futuro”.
Lourdes Castro foi uma das mais importantes artistas portuguesas contemporâneas, com reconhecimento nacional e internacional, tendo mantido uma relação profunda com a Madeira ao longo da sua vida. A casa, o atelier e o jardim onde viveu e criou constituem, por isso, um património cultural de enorme relevância, não apenas pela sua ligação à artista, mas pelo potencial que representam para a criação de um espaço museológico, cultural e de investigação dedicado à sua obra, assevera o BE.
O Bloco de Esquerda pretende saber qual é, concretamente, o interesse do Ministério da Cultura neste espaço e se pretendem tomar diligências para garantir a preservação deste património.
É particularmente preocupante que, segundo informação tornada pública, tenham existido contactos entre os herdeiros da artista e o Ministério da Cultura relativamente ao futuro da propriedade, sem que daí tenha resultado uma solução para a sua preservação. Ao mesmo tempo, a intenção associada ao futuro da casa, nomeadamente a possibilidade de criação de uma casa-museu ou de uma estrutura dedicada à preservação e divulgação da obra de Lourdes Castro, permanece por concretizar.
O Bloco de Esquerda considera que não basta reconhecer a importância de Lourdes Castro depois da sua morte. É necessário garantir condições para preservar os espaços onde a artista viveu e trabalhou e assegurar que esse património possa ser colocado ao serviço da população.
A actual situação demonstra a ausência de uma estratégia pública para este espaço. Deixar que a propriedade seja simplesmente vendida, sem uma intervenção das entidades públicas, poderá significar condenar este património ao esquecimento e perder uma oportunidade única de criar na Madeira um equipamento cultural de referência, sentencia o Bloco.
O Bloco de Esquerda defende que deve ser estudada uma solução pública para este espaço, nomeadamente a criação de um núcleo museológico e cultural dedicado a Lourdes Castro, à sua obra e ao seu legado, que possa também assumir uma dimensão mais abrangente de valorização da criação artística contemporânea na Madeira.
“Não podemos deixar que um património desta importância seja reduzido a uma oportunidade imobiliária. A casa e o atelier de Lourdes Castro devem continuar a ser um espaço de cultura, memória, criação e conhecimento, aberto à sociedade”, preconizam os bloquistas.
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