Pinheiros-de-damara abatidos no Palácio de São Lourenço

Rui Marote
Assistiu-se esta manhã ao abate de dois pinheiros-de-damara,  (Agathis robusta) espécie nativa da Papua -Nova Guiné, que cresce nas florestas montanhosas. É uma arvore colossal que pode atingir entre 30 a 50 metros de altura com um tronco perfeitamente recto, maciço e uma casca lisa que descama em placas.
Estes exemplares chegaram à Madeira durante o século XIX, integrados na grande vaga de introdução de plantas exóticas coleccionadas pelos proprietários das famosas quintas madeirenses.
Esta introdução foi impulsionada pela paixão da aristocracia e de comerciantes ricos (muitos deles britânicos) que coleccionavam espécies raras e monumentais vindas das explorações na Oceânia e nos trópicos.
As principais ruas do Funchal exibem estas árvores colossais nos arruamentos que devido às suas raízes destroem passeios e a calçada,  embora serviam de ornamentação pelo seu aspecto colunar e esguio. A autarquia até hoje não ousa substitui-las, como Fernão de Ornelas fez na Avenida Zarco junto à Fortaleza de São Lourenço  (ver foto).
As árvores cujo abate assistimos encontravam-se no interior do Palácio e em tempos ventosos constituíam perigo de queda para Avenida Arriaga, uma vez que as raízes não tinham sustentação suficiente.
As arvores estavam a colocar em risco o património edificado, Esta circunstância levou a pedir pareceres ao Instituto de florestas e a outras entidades que foram favoráveis ao seu abate.
Estando a decorrer obras de reabilitação na área civil do palácio, orçadas em cerca de 2,3 milhões de euros, focadas na recuperação das coberturas e no combate a problemas estruturais  e de degradação  do edifício histórico, impôs-se o corte das árvores. A operação correu em segurança.

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