Leitores do Funchal Notícias vieram denunciar o que consideram ser a situação de insegurança que se vive actualmente na Praça do Carmo, no Funchal.
Referem que este, um dos espaços mais emblemáticos e centrais do Funchal, “transformou-se no retrato vivo do abandono, da degradação urbana e do falhanço das políticas sociais e de segurança na nossa cidade”.
“O que deveria ser um ponto de encontro digno, acessível e vivo para residentes e visitantes é hoje um corredor de medo, sujeira e exclusão. Quem lá vive ou trabalha assiste diariamente, de mãos atadas, ao consumo explícito de drogas e álcool, a actos de vandalismo e insalubridade pública e a comportamentos agressivos que colocam em causa a segurança mínima de qualquer cidadão”, referem os nossos leitores.
De facto, a Praça do Carmo tem sido notícia múltiplas vezes pelos conflitos e agressões entre muitos dos sem-abrigo, alcoólatras ou toxicodependentes que por ali circulam.
“Mais grave ainda: a desordem instalou-se de tal forma que a acessibilidade básica foi suprimida. Nem mesmo uma pessoa em cadeira de rodas consegue circular pacificamente pelas arcadas sem encontrar barreiras físicas e humanas”, exemplificam os descontentes, citando os utentes da “Sopa do Cardoso” espojados pelo chão e acompanhados de animais a quem parecem não se aplicar as regras que se aplicam a todos os outros.
“Os comerciantes fecham as portas mais cedo para evitar confrontos. Os residentes vivem encurralados nas suas próprias casas”, descrevem-nos trabalhadores e moradores no local, que não desejam ser identificados por “temerem represálias”.
“E qual tem sido a resposta das entidades competentes? Intervenções pontuais que nada resolvem e que apenas “empurram o problema com a barriga” ou o deslocam para a rua ao lado. A Polícia de Segurança Pública admite a limitação das suas acções e as instituições sociais desdobram-se sem conseguir suprir a dimensão do fenómeno. Entre o empurrar de responsabilidades entre a Câmara Municipal do Funchal e o Governo Regional, quem paga a factura é a comunidade local”. Precisamente aqueles que nos descrevem a situação e que se queixam.
“Esta ausência de respostas concretas e articuladas está a empurrar a população para o limite do suportável. O clima de tensão atingiu um nível tão crítico que já se ouvem murmúrios perigosos entre quem lá vive e trabalha: há já quem equacione a formação de “milícias” ou grupos organizados de cidadãos para fazer a justiça que as autoridades não garantem”, uma perspectiva preocupante.
“Este”, dizem os cidadãos descontentes, “é o sinal de alarme mais grave que uma democracia pode receber. Quando os cidadãos ponderam fazer justiça pelas próprias mãos, significa que o contrato social ruiu e que o Estado falhou no seu dever mais básico: o de proteger as pessoas e manter a ordem pública. Ninguém deseja um cenário de confrontos ou de violência urbana no Funchal, mas o desespero e o abandono prolongado geram revolta”, referem.
“Não precisamos de mais promessas, de desculpas institucionais ou de medidas cosméticas como a simples remoção de bancos públicos. Exige-se, já, um plano de intervenção integrado e permanente que combine:
* Policiamento de proximidade constante e efectivo, e não apenas rondas pontuais;
* Intervenção social e de saúde mental reforçada, garantindo apoio digno aos cidadãos em situação de sem-abrigo e dependência;
* Limpeza e requalificação urbana diária, devolvendo a acessibilidade e a dignidade ao espaço público.
A Praça do Carmo não pode continuar a ser um território sem lei”, sentenciam os moradores e trabalhadores da zona.
E mais acrescentam: “Restaurar a segurança e o respeito no coração do Funchal não é uma questão de política partidária; é uma questão de dignidade humana e de sobrevivência da própria cidade”.
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