Relatório financeiro detalhado [com valores aproximados] sobre o impacto da saída de Cristiano Ronaldo da Federação Portuguesa de Futebol, analisando a avaliação da marca CR7 de 850 milhões de euros pelo IPAM

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Relatório Executivo — Federação Portuguesa de Futebol

Data: 1 de outubro de 2026 | Âmbito: análise do impacto comercial e financeiro do abandono da Seleção Nacional por Cristiano Ronaldo (30 de setembro de 2026) sobre a Federação Portuguesa de Futebol (FPF), com horizonte de análise 2026–2030.


1. Sumário Executivo

Cristiano Ronaldo abandonou o estágio da Seleção Nacional em 30 de setembro de 2026, em Copenhaga, na véspera do jogo com a Dinamarca, na sequência de um conflito público com o selecionador Jorge Jesus, que o tinha deixado no banco frente à Noruega (ge.globo). O episódio encerra de forma conturbada uma ligação de 23 anos à FPF (Jornal Económico) e ocorre no momento mais alto de sempre da marca CR7: 850 milhões de euros, segundo o estudo de 2025 do IPAM (IPAM).

Principais conclusões:

# Conclusão Grau de confiança
1 A FPF perde a associação a um ativo mediático avaliado em 850 M€, mas esse valor não é transferível: mede a marca pessoal CR7, da qual a FPF captava apenas uma fração (alcance global, audiências, ativações comerciais) Alto
2 Não há base pública para rescisão automática dos contratos de patrocínio (vinculam a instituição, não o jogador); o risco principal é económico — renegociação e erosão de valores na próxima janela contratual — e foi admitido publicamente por especialistas Médio-alto
3 A bilheteira doméstica em jogos oficiais tende a ser resiliente (procura estruturalmente elevada); o risco concentra-se em amigáveis e no valor das taxas de participação em jogos-particulares Médio
4 O impacto nos direitos de transmissão é sobretudo indireto e diferido: os direitos de Mundial e Euro são centralizados pela FIFA/UEFA; os direitos domésticos da Liga das Nações (RTP) renegociam-se em ciclo futuro, quando a erosão de audiências já se puder materializar Médio
5 Em cenário base, estimamos uma erosão acumulada de ~23–25 M€ entre 2027 e 2030 nas receitas comerciais da FPF (estimativa própria, ver secção 8); em cenário adverso, 45–50 M€ Estimativa
6 O Mundial de 2030, co-organizado por Portugal, é o principal mitigante estratégico do horizonte 2030 Alto

2. Contexto e Cronologia do Evento

  • 2016–2026: Ronaldo foi Euro 2016, Liga das Nações 2019 e 2025, com 233 jogos e 146 golos por Portugal — recordista absoluto (Record/Lusa).

  • Junho–julho de 2026: disputou o sexto e último Mundial, tornando-se o primeiro jogador a marcar em seis edições; Portugal caiu nos oitavos frente à Espanha (futura campeã) (ge.globo). Ronaldo garantiu à revista Vogue, em agosto, que 2026 é “provavelmente o último ano no futebol” (JN).

  • 24/09/2026: titular na estreia de Jorge Jesus, frente ao País de Gales, no Estádio José Alvalade.

  • 27/09/2026: deixado no banco na Noruega (não entrou; Portugal venceu 1-0).

  • 30/09/2026: após a conferência de imprensa de Jorge Jesus e uma conversa com o presidente da FPF, Pedro Proença, Ronaldo abandonou o estágio em Copenhaga, antes do jogo com a Dinamarca, prometendo dizer “a verdade a todos os Portugueses” (ge.globo; ECO). A imprensa portuguesa refere que o regulamento prevê até seis meses de suspensão em caso de abandono de estágio (ge.globo).

  • 01/10/2026 (hoje): Portugal defronta a Dinamarca sem Ronaldo; 04/10/2026: primeiro jogo em casa pós-saída, Portugal–Noruega, no Estádio do Dragão (RTP).

Incertezas em aberto: a saída ainda não é formalmente uma reforma internacional — Ronaldo prometeu revelações futuras e está previsto enquadramento disciplinar — o que mantém vivo o risco reputacional para a FPF.


3. A Marca CR7 e o Nexo Económico com a FPF

3.1 Avaliação IPAM: 850 milhões de euros

O estudo do IPAM (fevereiro de 2025), coordenado por Daniel Sá, atribui à marca CR7 o valor recorde de 850 M€, mais do que quadruplicando (+325%) face a 2020 (IPAM; Jornal Económico).

Evolução histórica da marca CR7 (metodologia Sports Reputation Index, 28 variáveis em 6 dimensões: receitas, media, redes sociais, palmarés, social e impacto):

Ano Valor da marca CR7 Contexto
2011 24,5 M€ Real Madrid
2014 42 M€ —
2017 102 M€ —
2020 200 M€ Juventus
2025 850 M€ Al Nassr

Fonte: IPAM e Jornal Económico.

Motor económico da marca CR7 em 2025/26:

Indicador Valor
Rendimento anual no Al Nassr (salários e prémios) > 200 M€/ano
Direitos de imagem e contratos publicitários > 150 M€/ano
Rendimentos totais 2024 (Forbes, maior atleta do mundo) 239 M€
Seguidores em redes sociais > 1.000 milhões (Instagram: 648 M; Facebook: 170 M; X: 114 M; YouTube: 73 M)
Crescimento de seguidores desde 2020 +280%
Crescimento das receitas de patrocínio pessoal desde 2020 +435%

Fonte: Jornal Económico e IPAM.

3.2 O que a FPF perde — e o que nunca teve

O valor de 850 M€ não é um ativo da FPF: mede a marca pessoal de Ronaldo (patrocinado, influencer e investidor), com contratos próprios (Nike, Tag Heuer, Louis Vuitton, entre outros). O que a FPF perde é o efeito de transbordo dessa marca sobre o produto “Seleção Nacional”: audiências internacionais superiores, valorização das ativações dos patrocinadores federativos e conversão em merchandising.

A dimensão do efeito é descrita pelos próprios especialistas consultados pela imprensa:

  • Daniel Sá (IPAM): “do ponto de vista de marca, Ronaldo é incomparavelmente maior do que toda a seleção portuguesa (…) vai ser um drama quando ele sair (…) Vamos cair numa escada rolante a grande velocidade” e “É ele quem lhes faz rubricar vários contratos e ganhar muito dinheiro há mais de 20 anos” (Record/Lusa).

  • Carlos Coelho (Ivity Brand Corp): “há centenas de milhões de pessoas no mundo que veem Portugal jogar apenas por causa de Cristiano Ronaldo” (DN/Lusa).

Nota crítica: o próprio IPAM antecipava que a marca CR7 continuará a crescer após a carreira (IPAM) — e a saída da Seleção deu-lhe até um impulso mediático global (“A marca Ronaldo não perde. Teve até um ‘boost'”, Carlos Coelho, DN/Lusa). A perda é assim assimétrica: concentra-se na FPF, não em Ronaldo.


4. Exposição Financeira da FPF

4.1 Base de receitas

Rubrica Valor Época/Fonte
Receitas totais (recorde histórico) > 131 M€ 2024/25, contas aprovadas (FPF; O Jogo)
Resultado operacional ~3,3 M€ 2024/25 (O Jogo)
Bloco comercial (direitos de transmissão + publicidade + patrocínios) 54,9 M€ previsão 2025/26 (ECO)
— dos quais contrato de material desportivo (Puma) 20,2 M€ previsão 2025/26 (ECO)
— dos quais publicidade, televisão e licenciamento associados à Seleção 20,16 M€ previsão 2025/26 (ECO)
Rendimentos suplementares previstos 61,7 M€ 2026/27, sem discriminação por rubrica (ECO)

Estimativa do bloco comercial “não-kit” (patrocínios + publicidade + direitos de transmissão, excl. material desportivo): ~34,7 M€/ano (54,9 − 20,2 M€; cálculo próprio a partir de ECO). É esta a janela de exposição direta ao risco CR7.

4.2 O portefólio contratual até 2030

Os principais patrocinadores renovaram praticamente todos os contratos até 2030, o que permite à FPF planear a longo prazo (ECO):

Parceiro Vigência Notas
Galp até 2030 parceria desde 1999, ~25 anos (FPF; Galp)
MEO até 2030 renovação por seis anos; ligação de 25 anos (FPF)
BPI até 2030 parceria desde 2018, inclui futebol feminino (FPF)
Continente até ao Mundial 2030 inclui acordo de venda de bilhetes com desconto (FPF)
Puma (material desportivo) longo prazo, desde 01/01/2025 substituiu a Nike após 27 anos (Jornal Económico)
Outros parceiros ativos — Sagres, CUF, Generali Tranquilidade, Sacoor Brothers, Hertz, Visit Portugal (ECO)

5. Risco de Renegociação dos Patrocínios até 2030

5.1 Enquadramento do risco

Não há evidência pública de cláusulas contratuais que permitam rescisão automática por saída de um jogador — os contratos vinculam a instituição e as competições, e a FPF optou por não comentar o tema (JN). Salvo cláusulas não divulgadas, o risco relevante é económico e comercial, não jurídico:

  • Risco de curto prazo (até 2027): exigência de renegociação formal. Carlos Coelho é explícito: “Ponham-se no lugar de um patrocinador que assinou contrato na perspetiva de associar a sua marca a estes ativos. Têm mais do que motivo para dizer que os pressupostos mudaram e exigir reuniões, até ao limite de cancelarem contratos” (DN/Lusa).

  • Risco de médio prazo (2028–2030): erosão dos valores praticados na renovação seguinte, por perda de alcance internacional: “O interesse dos portugueses pela seleção pode subir, mas o desinteresse do mundo vai aumentar” (Carlos Coelho, DN/Lusa).

  • Fatores atenuantes: no Mundial 2026, mesmo eliminada nos oitavos, a Seleção gerou em Portugal um impacto económico estimado de 561 M€ (14% em publicidade/media; 23% em plataformas digitais), e os patrocinadores fizeram balanços positivos das ativações — Sagres com 71% de recall, a mais recordada do torneio (ECO). As marcas afirmaram que as estratégias assentam na ligação emocional dos portugueses à Seleção e não em individualidades (ECO).

5.2 Matriz de risco por parceiro

Parceiro Exposição à saída Justificação
Galp, MEO, BPI, Continente Média — risco de renegociação/erosão na renovação, não de rescisão vigência contratual até 2030 comprovadamente renovada (ECO; FPF); posicionamento institucional e doméstico declarado
Sagres, CUF, Generali Tranquilidade, Hertz, Sacoor Média — vigência específica não divulgada parceiros ativos nas ativações do Mundial 2026; balanços positivos declarados (ECO)
Puma Média-baixa contrato de longo prazo iniciado em 2025, pós-apogeu de Ronaldo; conversão em camisolas é o canal sensível (Ronaldo era o principal motor de vendas de merchandising associado às Quinas) (Futebol e Negócios)
Visit Portugal / Estado Baixa-alta programa “Portugal Legends” com Visit Portugal é precisamente o veículo para manter Ronaldo no ecossistema (Futebol e Negócios)
Novos patrocinadores (prospecção 2027–2030) Alta sem Ronaldo, o argumento de venda de “audiência global” enfraquece; Daniel Sá: a FPF “não pode estar dependente de uma pessoa só” (Record/Lusa)

6. Bilheteira

Dados observáveis:

  • A procura doméstica tem sido estruturalmente elevada: bilhetes para o jogo com o País de Gales (Alvalade, 24/09) desde 20 €, com desconto de 25% para clientes Continente, e a plataforma de vendas da FPF registou filas de espera, impossibilidade de selecionar lugares e falhas na conclusão de compras face ao volume de pedidos (Marketeer; RR).

  • Portugal–Noruega, no Dragão, é o primeiro teste real de procura pós-saída — as vendas decorreram na sua maioria antes do abandono do estágio, pelo que só as próximas janelas de venda medirão o efeito.

  • O risco relevante está nos jogos particulares: o JN reporta que a ausência de CR7 “poderá implicar penalizações nos valores contratuais” dos amigáveis (JN).

  • Caso extremo de referência internacional: numa deslocação do Al Nassr à China sem Ronaldo, a assistência caiu de 55.000 para 5.000 espetadores (DN/Lusa).

Avaliação: nos jogos oficiais (Liga das Nações, qualificações), a bilheteira tende a ser resiliente — o produto é a Seleção, num país com procura cronicamente excedentária face à lotação dos estádios. A exposição concentra-se em (i) amigáveis, onde promotores e taxas de participação refletem o poder de atração das estrelas, e (ii) mercados internacionais/diáspora, onde Ronaldo era o principal motor (a FPF estimava a diáspora portuguesa nos EUA em 1,3 milhões de pessoas como alvo de bilhética e retalho — Futebol e Negócios). A receita de bilheteira federativa não é divulgada publicamente por rubrica, pelo que quantificações devem ser tratadas como cenário (secção 8).


7. Direitos de Transmissão

Estrutura do mercado:

  1. Direitos centralizados (UEFA/FIFA): Mundial, Euro e Liga das Nações (internacional) são vendidos pelos organismos, não pela FPF. No Mundial 2026, a FIFA licenciou em Portugal um pacote conjunto às generalistas RTP/SIC/TVI (20 jogos, incluindo todos os de Portugal) e a LiveModeTV transmitiu 34 jogos gratuitamente no YouTube (Observador; RR). O impacto da saída de Ronaldo faz-se sentir aqui de forma indireta e diferida — nas distribuições futuras e no apelo de audiência do produto Seleção nos próximos ciclos de licitação.

  2. Direitos domésticos da Liga das Nações: a RTP transmite os jogos de Portugal na edição 2026/27, em sinal aberto e no YouTube (RTP Play; RTP Publicidade). A estrutura contratual (exclusividades, distribuição centralizada pela UEFA versus direitos federação) e a parcela capturada pela FPF não são públicas — pelo que qualquer erosão de audiências se traduziria em preço sobretudo nos ciclos de licitação futuros.

Evidência de audiências (base para o risco):

  • Os cinco jogos de Portugal no Mundial 2026 acumularam ~15,9 milhões de telespectadores em Portugal, acima do Qatar 2022 (15,4 M) mas abaixo do Euro 2024 (17,3 M) (ECO).

  • Portugal–Espanha (oitavos) teve média superior a 4 milhões de telespectadores; Portugal–Usbequistão, com um recorde individual de Ronaldo, média de 3,3 milhões (ECO; 24horas).

  • A FPF previa para 2025/26 apenas ~20,16 M€ no conjunto publicidade/televisão/licenciamento associado à Seleção (ECO) — a parcela TV doméstica é, por isso, materialmente modesta face ao bloco total.

Avaliação: não antecipamos quebra imediata de receitas de transmissão — os contratos em vigor estão vendidos por ciclo e a audiência doméstica demonstrou resiliência mesmo sem sucesso desportivo. O risco é de reprecificação no próximo ciclo (2027+), agravado pela narrativa de “menor atratividade global” e pela concorrência de plataformas gratuitas (YouTube) que comprimem os valores de mercado.


8. Cenários Financeiros 2026–2030

Premissas (estimativas próprias, transparentes):

  • Base comercial exposta (patrocínios + publicidade + TV, excl. Puma): ~34,7 M€/ano (54,9 − 20,2 M€, ECO).

  • Bilheteira doméstica estimada em 3–6 M€/época (2–3 jogos caseiros × 40–50 mil espetadores × preço médio 25–40 €; preços de referência: bilhetes desde 20 € — Marketeer). Não divulgada pela FPF.

  • Amigáveis/taxas de jogo particular: parcela não divulgada; sensibilidade elevada documentada (JN).

  • Não há dados públicos que permitam isolar a contribuição de Ronaldo para cada rubrica — os cenários medem erosão relativa do ritmo recorrente de receitas comerciais, não perdas contratuais certas.

  • As três primeiras linhas da tabela são drivers qualitativos que calibram a erosão da primeira (o bloco comercial não-kit já inclui TV, publicidade e patrocínios, pelo que não são aditivas); a bilheteira e os amigáveis são avaliados à parte.

Parâmetro (calibração da erosão anual média 2027–2030) Conservador Base Adverso
Erosão do bloco comercial não-kit (34,7 M€) −5% (−1,7 M€) −15% (−5,2 M€) −30% (−10,4 M€)
Erosão de bilheteira em jogos oficiais −0 a −5% −10% −15%
Erosão em amigáveis e mercados internacionais −10% −25% −40%
Erosão de direitos TV domésticos à renovação −5% −10% −25%
Impacto anual estimado ~2–3 M€ ~6–7 M€ ~12–13 M€
Impacto acumulado 2027–2030 ~8–9 M€ ~23–25 M€ ~45–50 M€

Leitura dos cenários:

  • Conservador: os patrocinadores cumprem até 2030 sem renegociação material; a Seleção mantém competitividade; o Mundial 2030 em Portugal compensa a perda de narrativa. A perda resume-se à dificuldade de fazer crescer o bloco comercial acima dos valores atuais.

  • Base: renegociações pontuais com desconto, erosão de 10–15% nas renovações, menor procura internacional por amigáveis e reprecificação moderada dos direitos domésticos. Consistente com as previsões de “perda económica gradual, embora não imediata” do JN (JN) e com o alerta do IPAM sobre a perda de atenção mediática (“escada rolante” — Record/Lusa).

  • Adverso: crise prolongada (revelações prometidas por Ronaldo + eventual suspensão disciplinar de seis meses — ge.globo), respostas desportivas fracas até 2030 e cancelamentos parciais efetivos de patrocínios, como admitiu Carlos Coelho (DN/Lusa).

Contexto de materialidade: mesmo o cenário adverso (45–50 M€ acumulados em quatro épocas) equivale a ~9–10% de um único ano de receitas ao ritmo recorrente de 131 M€/época — material, mas não existencial (FPF) — sobretudo porque o ciclo culmina no Mundial 2030 co-organizado por Portugal, que Daniel Sá descreve como “provavelmente a maior oportunidade de marketing desportivo da história recente em Portugal” (ECO).


9. Implicações para o Valor Comercial da Seleção Nacional

  1. Perda do único “ativo global” do futebol português. A FPF deixa de poder vender, nas ativações internacionais, a associação à personalidade mais seguida do mundo (>1.000 M de seguidores — Futebol e Negócios). O desequilíbrio entre o alcance individual e o coletivo é o problema central: para a audiência global, o produto “Portugal” era, em parte, um produto “CR7”.

  2. Transição de “ativo global” para “lenda de Portugal”. A estratégia já desenhada pela direção comercial da FPF (João Medeiros Cardoso) prevê duas fases: maximizar o último ciclo de Ronaldo e depois gerir a transição com um portefólio de embaixadores — Nuno Mendes, Vitinha e Bruno Fernandes — e o programa “Portugal Legends”, em parceria com a Visit Portugal, que pode manter Ronaldo no ecossistema comercial até 2030 (Futebol e Negócios).

  3. Risco de concentrar a narrativa no desporto puro. Sem sucesso desportivo até 2030, a FPF perde o principal argumento de compensação — Carlos Coelho: “Isto não se resolve com bons resultados, porque o resultado só interessa aos portugueses” (DN/Lusa).

  4. Reputação institucional. A forma conturbada da saída — com promessa de revelações públicas e enquadramento disciplinar em aberto — acrescenta um prémio de risco reputacional que pode contaminar as relações comerciais antes mesmo de qualquer efeito de audiência.

  5. O capitalizador de 2030. A coorganização do Mundial 2030 (com Espanha e Marrocos) oferece à FPF uma plataforma de valor sem precedentes: o estudo do IPAM estimou que Portugal gerou 561 M€ de impacto económico ao chegar apenas aos oitavos de final, sem organizar a competição (ECO).


10. Mitigantes e Recomendações

Mitigantes estruturais:

  • Contratos de patrocínio válidos até 2030, assinados antes do pico da crise (ECO).

  • Patrocinadores com posicionamento declaradamente institucional e de longo prazo (Galp, BPI, Sagres, Generali, Hertz, Sacoor — ECO).

  • Geração talentosa (Vitinha, Bruno Fernandes, Nuno Mendes, Gonçalo Ramos) e cobertura mediática do novo selecionador (ECO).

  • Mundial 2030 em casa.

Recomendações:

# Recomendação Objetivo
1 Interiorizar Ronaldo como embaixador institucional (Portugal Legends, campanhas de licenciamento, eventual reforma da camisola 7 como evento comercial) — “encontrar um lugar para Cristiano Ronaldo na estrutura da seleção” (Carlos Coelho, DN/Lusa) Reter parte do efeito de transbordo da marca CR7
2 Comunicação proativa e individualizada aos parceiros até 2030, antecipando pedidos de renegociação e apresentando métricas de audiência pós-Ronaldo (a começar pelo Portugal–Noruega de 04/10 e pelas audiências TVI/RTP) Estabilizar o portefólio e proteger os valores de renovação
3 Acelerar o portefólio de embaixadores e campanhas “coletivas”, reduzindo a dependência de uma única figura (Record/Lusa) Diversificar o risco de concentração
4 Reprecificar expectativas e reter flexibilidade no calendário de amigáveis, privilegiando mercados de diáspora com procura estrutural (EUA: 1,3 M de luso-descendentes — Futebol e Negócios) Limitar a erosão de bilheteira internacional
5 Gerir disciplinarmente o caso sem escalada pública, evitando a materialização do cenário adverso (revelações, suspensão) Reduzir o prémio de risco reputacional
6 Preparar já o pacote comercial do Mundial 2030 (hospitalidade, licenciamento, turismo) ancorado na Visit Portugal Converter o mitigante 2030 em receita contratualizada

11. Em Suma

A saída de Cristiano Ronaldo retira à FPF o efeito de transbordo da maior marca individual do desporto mundial — avaliada em 850 M€ pelo IPAM — no momento em que essa marca atingia o valor máximo histórico. O impacto financeiro direto e imediato é, contudo, contido: os contratos de patrocínio assinados até 2030 vinculam a instituição, a bilheteira doméstica tem sido absorvida sem dificuldade pela procura estrutural e os grandes direitos de transmissão são centralizados pela UEFA e FIFA. O risco materializa-se de forma gradual — renegociações com desconto, erosão de audiências internacionais, reprecificação dos direitos domésticos no próximo ciclo — e, no nosso cenário base, situa-se na ordem de 23–25 M€ acumulados até 2030 (estimativa própria), com potencial de valorização significativo se a coorganização do Mundial 2030 for bem monetizada. O ativo crítico em risco não é uma linha de receita, mas o posicionamento global do produto “Seleção Nacional” — e a janela para o defender passa por interiorizar Ronaldo como embaixador institucional, diversificar figuras comerciais e proteger proativamente a relação com os parceiros contratados até 2030.

Notas metodológicas:

  • Os valores das rubricas orçamentais da FPF para 2025/26 (54,9 M€; 20,2 M€; 20,16 M€) e 2026/27 (61,7 M€) são previsões reportadas pelo ECO a partir de documentos da Federação; a FPF não discrimina publicamente bilheteira nem valores individuais por patrocinador.

  • Os cenários da secção 8 são modelizações próprias baseadas nesses valores públicos e nas sensibilidades qualitativas documentadas na imprensa; não constituem estimativa divulgada por qualquer entidade oficial.

  • O valor de 850 M€ (IPAM) refere-se à marca pessoal CR7 e não a um ativo da FPF; é usado neste relatório como proxy do poder comercial global associado ao jogador.

  • Este relatório foi elaborado a 01/10/2026; a situação entre Ronaldo, o selecionador e a FPF permanecia em evolução à data de escrita.


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