A CDU veio constatar, em comunicado, que após algum tempo de silêncio surgem informações sobre o teleférico, num “parecer” [ontem divulgado pela CDU] visivelmente encomendado pelos seus promotores. Tal “parecer” limita-se a opinar sobre a “criação de estruturas de acolhimento”, e de uma forma extremamente optimista, afasta todos os demais obstáculos, considerando que já terão os seus problemas resolvidos, dizem os comunistas.
Mais concretamente, o referido “parecer” reconhece que existem 19 condicionantes de ordem ambiental, estética, urbanística, económica, social, de mobilidade e de natureza geográfica, que o “parecer” considera já resolvidas, ou «em vias disso», embora se “esqueça” de referir as condicionantes geológicas, que, segundo todos os especialistas, são delicadíssimas e poderão pôr em causa a própria execução da obra.
Quanto ao mais, o “parecer” reconhece que será muito difícil compatibilizar a vida dos poucos habitantes da zona com a média dos utilizadores do teleférico, prevista para os cerca de 650 utilizadores por dia. Como reconhece e sublinha o “parecer”, a dimensão deste problema exigirá «acompanhamento político», o que traduzindo para termos concretos, significará a imposição forçada à população do Curral das Freiras e do Jardim da Serra de modos de vida que não são os seus.
Mas, sobretudo, os autores do “parecer” reconhecem que o maior problema será o da mobilidade, nomeadamente, ao nível dos estacionamentos. Nesta matéria, o projeto de teleféricos apresenta cálculos nitidamente inferiores à realidade previsível. O “parecer” confessa que os números de estacionamentos previstos no projeto nem chegam para o número de funcionários previstos para o teleférico, deixando de fora os visitantes. Quer isto dizer que haverá um significativo déficit de lugares de estacionamento, para além dos gravíssimos problemas de circulação, diz a CDU.
Para além destes problemas, que não encontram respostas capazes, os autores do “parecer” entendem ainda que a introdução de novos modos de vida e a chegada de visitantes irão produzir profundos impactos na população do Curral das Freiras e do Jardim da Serra.
Segundo este “parecer”, a habitação, o convívio social, as atividades económicas daquelas freguesias, serão profundamente alteradas, indo ao ponto de propôr detalhadas medidas que vão até à escolha de plantas/tipo de arbustos para a beira dos caminhos ou até ao modo de funcionamento dos restaurantes daquelas localidades!!!
Ao que tudo indica, aquelas freguesias teriam de se transformar numa espécie de “Disneylândia” e os seus habitantes teriam de se transformar em actores forçados, passando a ser obrigados a representar para os turistas que ali se desloquem.
“No essencial, o que se retira deste “parecer” é que o chamado teleférico do Curral das Freiras/Jardim da Serra constitui apenas um pretexto e uma fachada para mais um empreendimento turístico, estilo “Parque Temático”, que, para além de constituir um sorvedouro de dinheiros públicos, a ser concretizado, iria destruir radicalmente a identidade do Curral das Freiras e do Jardim da Serra, e da própria Ilha da Madeira”, critica a CDU.
Para esta força política, aquele projecto, a curto e a médio prazo, a ser concretizado, estaria votado ao fracasso, com profundos prejuízos para as populações daquelas localidades e para o Turismo Regional.
“Assim sendo, exige-se ao Governo Regional do PSD/CDS que não embarque em mais esta aventura, estilo “Fábrica das Moscas” ou “Marina do Lugar de Baixo”, conclui uma nota.
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