A Iniciativa Liberal veio manifestar a sua preocupação com o estado de degradação das infraestruturas e espaços turísticos da Região, alertando para o risco de a Madeira estar a comprometer a qualidade da sua principal actividade económica, precisamente, num momento em que começam a surgir sinais de abrandamento da procura e de redução das reservas.
O partido tem recebido diversos relatos de falta de manutenção de trilhos pedestres, espaços florestais, miradouros e zonas de merendas, bem como, de insuficientes condições de acesso e de segurança nalguns dos percursos recomendados e pontos turísticos mais procurados pelos visitantes. A estas preocupações junta-se o estado de degradação das áreas florestais, evidenciado na proliferação de pinheiros mortos no Porto Santo, situação que afecta a imagem da Região e suscita preocupações ambientais e de segurança, refere uma informação.
Para a IL, esta realidade contrasta com a relevante receita arrecadada através das taxas de utilização, cuja criação foi justificada com a necessidade de reforçar o investimento na preservação, manutenção e valorização dos locais mais procurados pelos visitantes.
De acordo com Gonçalo Maia Camelo, deputado da Iniciativa Liberal na ALRAM, “os madeirenses e os empresários do sector têm o direito de saber onde está a ser aplicado o dinheiro cobrado através das taxas de utilização. Aquilo que hoje se verifica no terreno é uma degradação visível e acentuada da qualidade da oferta turística, e não o reforço de investimento tantas vezes prometido.”
Para o deputado liberal, “infelizmente, tudo indica que os receios da Iniciativa Liberal eram fundados. Tudo indica que estas receitas, de montantes significativos, não estão a servir para executar investimentos, mas apenas para pagar despesa corrente do Governo Regional”, diz o deputado liberal.
A Iniciativa Liberal considera particularmente preocupante que estes problemas ocorram numa altura em que diversos agentes do setor turístico dão nota de um arrefecimento significativo da procura, com uma diminuição progressiva das reservas desde o início do ano e uma quebra acentuada a partir do mês de Junho.
Para Gonçalo Maia Camelo, “num cenário em que o sector começa a dar sinais de desaceleração, a Madeira não pode dar-se ao luxo de descurar a qualidade da oferta. A competitividade do nosso destino constrói-se através da excelência, da segurança e da boa conservação dos espaços que promovemos internacionalmente. Os prémios não mascaram a realidade. E a realidade é que quem nos visita fica decepcionado com o que encontra”, sublinha.
A IL entende, por isso, que o Governo Regional deve utilizar as receitas provenientes das taxas turísticas para investir de forma séria e eficaz nos equipamentos e serviços turísticos, identificando de forma transparente quais os investimentos realizados, quais os projetos em curso e qual o impacto efectivo dessas verbas na melhoria da experiência turística.
“O denominado Programa Upgrade não pode servir apenas para trazer mais pessoas e para aumentar as receitas das taxas turísticas. Não basta engordar a galinha dos ovos de ouros. É preciso evitar que ela morra devido ao excesso de peso. Precisamos de mais qualidade. Até podemos conseguir continuar a enganar alguns turistas por mais algum tempo. Mas nunca conseguiremos enganar todos o tempo todo. E quando/se as receitas do Turismo diminuírem, outros problemas surgirão”, conclui Gonçalo Maia Camelo.
A Iniciativa Liberal promete continuar a acompanhar esta matéria, nomeadamente, no que diz respeito aos investimentos efectuados e à evolução da procura.
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