Entre os dias de 3 e 14 de Julho de 2026, a ARDITI – Agência Regional para o Desenvolvimento da Investigação, Tecnologia e Inovação vem promover uma nova campanha científica no Porto Santo, dedicada ao estudo dos ecossistemas marinhos costeiros da ilha.
A campanha dá continuidade ao Programa de Monitorização da Biodiversidade Marinha da Madeira — BioMa, iniciado em julho de 2016, e inclui levantamentos batimétricos de elevada resolução com recurso ao DRIX, veículo autónomo de superfície operado pelo Observatório Oceânico da Madeira/ARDITI.
Com o apoio do IFCN — Instituto das Florestas e Conservação da Natureza, IP-RAM, esta iniciativa reforça a ligação entre investigação científica, monitorização ambiental e conservação da natureza na Região Autónoma da Madeira.
A campanha decorre num momento particularmente simbólico: assinalam-se agora 10 anos desde o início do BioMa, programa que tem vindo a construir uma das séries temporais mais consistentes sobre biodiversidade marinha costeira em sistemas insulares portugueses.
Ao longo da última década, equipas de mergulho científico têm regressado regularmente aos mesmos locais da Madeira e do Porto Santo para observar, contar e registar peixes, macroinvertebrados móveis e habitats marinhos. Esta continuidade permite acompanhar alterações ecológicas que dificilmente seriam detetadas através de campanhas isoladas.
No mar, uma observação pontual mostra apenas um momento. Só a repetição dos mesmos métodos, nos mesmos locais e ao longo de vários anos permite distinguir flutuações naturais de tendências persistentes, identificar sinais de alteração ambiental e apoiar decisões de gestão e conservação com base em evidência científica.
No Porto Santo, os trabalhos incluem mergulhos científicos em locais previamente definidos, contribuindo para avaliar o estado ecológico dos habitats costeiros, acompanhar a biodiversidade bentónica e detectar possíveis alterações nas comunidades marinhas ao longo do tempo.
Em paralelo, a campanha integra uma forte componente tecnológica, com levantamentos batimétricos de alta resolução na costa norte da ilha. Estes trabalhos serão realizados com o Observatório II — DRIX, veículo autónomo de superfície equipado para a aquisição sistemática de dados acústicos.
A informação recolhida permitirá produzir modelos digitais do terreno subaquático, fundamentais para caracterizar a geomorfologia dos fundos marinhos e apoiar futuras acções de monitorização ambiental, ordenamento marítimo, gestão costeira e investigação científica.
A costa norte do Porto Santo continua a apresentar lacunas importantes ao nível da cobertura batimétrica de detalhe. A obtenção de dados de elevada resolução permitirá conhecer melhor a estrutura física dos fundos marinhos, incluindo relevos, declives, plataformas e outras formas submarinas que influenciam a distribuição dos habitats e das comunidades biológicas.
Ao combinar observação directa por mergulho científico com tecnologia autónoma de mapeamento do fundo marinho, a campanha promovida pela ARDITI representa um passo importante para uma abordagem mais integrada da conservação marinha na Região. A biodiversidade marinha não depende apenas das espécies presentes, mas também da diversidade de habitats, da complexidade dos fundos e da forma como diferentes ambientes se articulam na paisagem submarina.
Os dados recolhidos irão reforçar a capacidade regional de monitorização e planeamento do meio marinho, contribuindo para uma gestão mais informada dos ecossistemas costeiros do Porto Santo e da Madeira.
Numa altura em que os oceanos estão sujeitos a pressões crescentes, desde as alterações climáticas à ocupação costeira e à perda de biodiversidade, programas de longo prazo como o BioMa são essenciais para garantir decisões de conservação assentes em conhecimento sólido, comparável e actualizado.
Mais do que um levantamento pontual, esta campanha integra um esforço continuado da ARDITI para construir memória ecológica sobre o mar da Madeira. Dez anos depois dos primeiros mergulhos de monitorização, o BioMa demonstra a importância de observar o oceano de forma continuada, rigorosa e comparável no tempo, refere uma nota.
O apoio do IFCN reforça a relevância deste trabalho para a conservação da natureza e para a gestão informada dos habitats marinhos da Região. Conhecer melhor os fundos marinhos e acompanhar a evolução da biodiversidade são passos fundamentais para proteger o património natural subaquático da Madeira e preparar respostas mais eficazes aos desafios ambientais futuros, refere-se.
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