PS acusa GR de só contratar profissionais para o SESARAM em situações-limite

O PS entende que as recentes escusas de responsabilidade apresentadas por profissionais de Radiologia vêm confirmar os alertas que o partido tem feito relativamente à insuficiência de recursos humanos no SESARAM e acusa o Governo Regional de continuar a responder aos problemas apenas quando estes atingem situações limite.

Na sequência dos últimos acontecimentos, o PS reuniu, esta semana, com o Sindicato Nacional dos Técnicos Superiores de Saúde das Áreas de Diagnóstico e Terapêutica (STSS), para analisar as dificuldades sentidas por estes profissionais e as necessidades existentes nos diferentes serviços de saúde da Madeira e do Porto Santo.

Marta Freitas, deputada do PS à Assembleia Legislativa da Madeira, recorda que, na audição parlamentar ao Conselho de Administração do SESARAM realizada em Julho, quando foi anunciada a intenção de contratar mais profissionais de saúde até ao final do ano, entre os quais apenas 14 Técnicos Superiores de Diagnóstico e Terapêutica, o PS alertou desde logo para a insuficiência desses números.

“Na altura, manifestámos a nossa preocupação porque as contratações anunciadas estavam muito aquém das necessidades que já eram conhecidas e que vinham sendo identificadas pelos sindicatos, quer no caso dos enfermeiros, quer no caso dos TSDT. Os acontecimentos das últimas semanas vieram, infelizmente, confirmar esses alertas”, afirma a deputada.

De acordo com a informação transmitida pelo STSS ao Partido Socialista, o sindicato considera urgente a contratação de 54 TSDT para responder às necessidades actuais dos serviços, sendo a carência global bastante superior, na ordem dos 130 profissionais, a que acrescem ainda as aposentações previstas e as necessidades decorrentes do reforço ou criação de novas respostas. Estando igualmente em falta a nomeação de um Técnico Superior Director.

Marta Freitas refere que “os números mostram que a resposta anunciada pela tutela não corresponde à dimensão do problema. Quando as necessidades estão identificadas e, mesmo assim, se anuncia uma contratação claramente insuficiente, não estamos perante falta de informação, mas perante falta de planeamento e de uma resposta estrutural. Continuamos a assistir a soluções feitas em cima do joelho”.

O Grupo Parlamentar do Partido Socialista considera particularmente revelador que, poucos dias depois de as escusas de responsabilidade e as dificuldades sentidas na Radiologia terem adquirido dimensão pública, o SESARAM tenha anunciado a preparação de novos procedimentos de contratação de TSDT.

“Voltamos a assistir a um padrão que já vimos este ano noutros serviços. Os profissionais chegam ao limite, surgem as escusas de responsabilidade, o problema torna-se público e só depois aparecem novos anúncios de contratação. O Governo continua a andar atrás do prejuízo, com respostas avulso, quando aquilo de que o Serviço Regional de Saúde precisa é de planeamento sério e atempado dos seus recursos humanos”, critica Marta Freitas.

A socialista lembra que, ao longo de 2026, as escusas de responsabilidade já atingiram diferentes serviços e grupos profissionais do SESARAM, considerando que esta sucessão de situações não pode continuar a ser encarada como um conjunto de episódios isolados.

“Quando diferentes profissionais, em diferentes serviços, chegam sucessivamente ao ponto de apresentar escusas de responsabilidade, temos obrigatoriamente de perceber que existe um problema estrutural. Não podemos esperar que sejam os trabalhadores a dar repetidamente o grito de alerta para só depois a tutela procurar soluções de emergência”, assevera Marta Freitas.

Uma das principais preocupações abordadas na reunião com o STSS prende-se com a Radiologia, área onde estão identificadas necessidades significativas de reforço, quer no hospital, quer nos cuidados de saúde primários. Para o PS, é particularmente preocupante que existam equipamentos instalados em centros de saúde, como Machico e São Vicente, sem os recursos humanos necessários para assegurar plenamente a sua utilização. Também a situação do Porto Santo merece especial atenção, face à escassez de profissionais disponíveis para garantir uma resposta permanente, na área da radiologia, mas também cardiopneumologia e terapia ocupacional, e olhando à futura Unidade de Saúde.

Para o Partido Socialista, esta não é uma preocupação nova. Já em Janeiro de 2025, na sequência de uma reunião com o STSS, o PS tinha chamado a atenção para a necessidade de reforçar a capacidade de diagnóstico nos centros de saúde com atendimento urgente.

“Hoje temos equipamentos instalados e situações em que a resposta fica condicionada por falta de profissionais. Isso demonstra que o problema nunca foi apenas comprar equipamentos, mas garantir os recursos humanos necessários para os colocar ao serviço da população. Se esse planeamento tivesse sido feito atempadamente, parte destes constrangimentos poderia ter sido evitada”, refere Marta Freitas.

Para o PS, o reforço dos TSDT deve também ser encarado como uma oportunidade para aumentar a capacidade de resposta dos cuidados de saúde primários. A integração de profissionais de Radiologia e Cardiopneumologia nos centros de saúde com serviço de urgência permitiria realizar mais exames localmente, evitar encaminhamentos desnecessários para o hospital e reduzir a pressão sobre a Urgência hospitalar.

Na reunião foram igualmente identificadas necessidades de reforço dos TSDT em várias áreas e respostas do Serviço Regional de Saúde, para além das carências mais imediatas.

“Há necessidades que vão muito além das faltas de hoje. Há aposentações a aproximar-se e respostas que precisam de ser reforçadas ou descentralizadas, nomeadamente a saúde oral nos cuidados de saúde primários, com mais higienistas, o apoio domiciliário, a Fisioterapia, a Terapia Ocupacional e a Terapia da Fala mais próximas das populações, a resposta do Centro de Desenvolvimento da Criança e os programas de prevenção e rastreio. Tudo isto exige recursos humanos. Se o Governo continuar a contratar apenas quando cada problema rebenta, continuará atrás do prejuízo, em vez de antecipar as necessidades do Serviço Regional de Saúde”, diz a deputada socialista.

O PS defende, por isso, que o Governo Regional e o SESARAM apresentem um verdadeiro plano plurianual de recursos humanos para todos os profissionais de saúde, identificando as necessidades por carreira, profissão, serviço e local de colocação, as aposentações previstas, as áreas com maior carência, o número de profissionais a contratar e os respetivos prazos.

“O SESARAM não pode continuar a ser gerido através de respostas avulso às crises que vão surgindo. As necessidades estão identificadas, os profissionais e os sindicatos têm alertado e o Partido Socialista já tinha chamado a atenção para a insuficiência das contratações anunciadas. É preciso deixar de andar atrás do prejuízo e assumir um verdadeiro planeamento dos recursos humanos de todo o Serviço Regional de Saúde”, termina Marta Freitas.


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