JPP denuncia “nova e grave crise” no Hospital Dr. Nélio Mendonça

O JPP afirma, em comunicado esta tarde, que está em curso “uma nova e grave crise” no Hospital Dr. Nélio Mendonça. Esta segunda-feira, os 65 enfermeiros que se encontram actualmente no Serviço de Medicina Intensiva, apresentaram à presidente do Conselho de Administração do SESARAM um pedido de escusa de responsabilidade, alegando que as carências naquele serviço, o recurso excessivo às horas extraordinárias e a falta de profissionais “ultrapasssou o limite aceitável”.

Os relatos transmitidos ao Juntos Pelo Povo (JPP) referem que a totalidade dos enfermeiros do Serviço de Medicina Interna manifestam “preocupação e insatisfação” relativamente às condições em que têm vindo a exercer funções, considerando que foi atingido “um nível de gravidade incompatível com os princípios da segurança do doente, da qualidade dos cuidados de saúde e da protecção da saúde e dignidade dos profissionais”.

Segundo informações recolhidas pelo JPP, a presidente do SESARAM terá sido informada na tarde desta segunda-feira do “descontentamento generalizado” e das razões para o pedido de escusa, tendo sido apresentado um conjunto de sete pontos com soluções e exigências para resolver os problemas.

Além de “convocar” a Ordem dos Enferemeiros para verificar as condições do exercício profissional e das suas potenciais implicações para a qualidade e segurança dos cuidados prestados, os enfermeiros consideram urgente avaliar as condições de funcionamento do Serviço de Medicina Intensiva e a adequação da actual dotação de enfermagem às necessidades assistenciais existentes, verificar o cumprimento integral das disposições legais relativas aos períodos mínimos de descanso entre jornadas de trabalho, adopção de medidas concretas destinadas a reduzir a dependência estrutural do trabalho extraordinário e reforçar o efectivo da equipa de enfermagem, adequado à complexidade dos cuidados prestados e à capacidade assistencial instalada.

Para estes profissionais da saúde, o recurso sistemático e continuado ao trabalho extraordinário, longe de constituir uma medida excecional destinada a responder a necessidades imprevistas, tornou-se uma prática estrutural para assegurar o funcionamento regular do serviço, ao que se junta a constante reformulação dos horários de trabalho para colmatar a insuficiência de recursos humanos, impondo aos enfermeiros uma elevada imprevisibilidade na organização da vida pessoal e familiar, contribuindo para níveis crescentes de exaustão física, emocional e psicológica, diminuição da capacidade de decisão clínica, aumento da probabilidade de erro e comprometimento da segurança dos cuidados prestados.

O secretário-geral do JPP considera “legítima” a tomada de posição dos enfermeiros, recorda que “esta situação assume contornos preocupantes, revela a falta de respeito para com uma classe profissional a quem os madeirenses reconhecem competência, entrega e humanismo no exercício da profissão”, acusando o Governo PSD/CDS de “brincar com a saúde da população e demonstrar total incompetência para gerir com profissionalismo, seriedade, competência e soluções o Serviço de Saúde da Região”.

Élvio Sousa refere que Miguel Albuquerque “vive numa bolha, prefere gastar milhões em viagens de luxo pelos Estado Unidos, mas recusa-se a investir na contratação de mais enfermeiros que permitam a prestação de cuidados de saúde de qualidade, sem riscos para os doentes e para os profissionais de saúde”.


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