O manifesto completo de Cole Allen:
Olá a todos!
Bem, parece que hoje causei uma surpresa a muita gente. Deixem-me começar por pedir desculpa a todos aqueles cuja confiança abusei.
Peço desculpa aos meus pais por ter dito que tinha uma entrevista sem especificar que era para o «Most Wanted».
Peço desculpa aos meus colegas e alunos por ter dito que tinha uma emergência pessoal (quando alguém ler isto, provavelmente já vou mesmo precisar de ir às urgências, mas dificilmente posso dizer que não foi uma situação autoinfligida).
Peço desculpa a todas as pessoas com quem viajei, a todos os funcionários que manusearam a minha bagagem e a todas as outras pessoas não visadas no hotel que coloquei em perigo simplesmente por estar perto delas.
Peço desculpa a todos aqueles que foram abusados e/ou assassinados antes disto, a todos aqueles que sofreram antes de eu conseguir tentar isto, a todos aqueles que ainda possam sofrer depois, independentemente do meu sucesso ou fracasso.
Não espero perdão, mas se tivesse visto qualquer outra forma de chegar tão perto, tê-la-ia escolhido. Mais uma vez, as minhas sinceras desculpas.
Quanto ao motivo pelo qual fiz tudo isto:
Sou cidadão dos Estados Unidos da América.
O que os meus representantes fazem reflete-se em mim.
E já não estou disposto a permitir que um pedófilo, violador e traidor manche as minhas mãos com os seus crimes.
(Bem, para ser totalmente sincero, já não estava disposto há muito tempo, mas esta é a primeira oportunidade real que tive de fazer algo a esse respeito.)
Já que estou a falar nisto, vou também rever as minhas regras de combate previstas (provavelmente num formato péssimo, mas não sou militar, por isso azar.)
Funcionários da administração (excluindo o Sr. Patel): são alvos, priorizados do mais alto ao mais baixo escalão
Serviço Secreto: são alvos apenas se necessário, e devem ser incapacitados de forma não letal, se possível (ou seja, espero que estejam a usar coletes à prova de balas, porque um tiro no centro do corpo com espingardas destrói pessoas que *não* estão
Segurança do hotel: não são alvos, se possível (ou seja, a menos que disparem contra mim)
Agentes do Serviço Secreto a retirar Trump do palco após o início dos disparos.
AP
Polícia do Capitólio: o mesmo que a segurança do hotel
Guarda Nacional: o mesmo que a segurança do hotel
Funcionários do hotel: não são alvos de todo
Hóspedes: não são alvos de todo
Para minimizar as baixas, também vou usar chumbo grosso em vez de balas (menor penetração nas paredes)
Se fosse absolutamente necessário, eu ainda assim passaria por quase toda a gente aqui para chegar aos alvos (partindo do princípio de que a maioria das pessoas *escolheu* assistir a um discurso de um pedófilo, violador e traidor, sendo, portanto, cúmplices), mas espero sinceramente que não chegue a esse ponto.
Respostas às objeções:
Objeção 1: Como cristão, deves dar a outra face.
Resposta: Dar a outra face é para quando tu próprio és oprimido. Não sou a pessoa violada num campo de detenção. Não sou o pescador executado sem julgamento. Não sou um aluno morto numa explosão, nem uma criança faminta, nem uma adolescente abusada pelos muitos criminosos desta administração.
Dar a outra face quando *outra pessoa* é oprimida não é um comportamento cristão; é cumplicidade nos crimes do opressor.
Objeção 2: Este não é um momento conveniente para fazeres isto.
Contra-argumento: Preciso que quem pensa assim pare por uns minutos e perceba que o mundo não gira em torno deles. Achas que, quando vejo alguém a ser violado, assassinado ou maltratado, devo ignorar a situação porque seria «inconveniente» para as pessoas que não são a vítima?
Este foi o melhor momento e a melhor hipótese de sucesso que consegui encontrar.
Objeção 3: Não apanhaste todos.
Contra-argumento: É preciso começar por algum lado.
Objeção 4: Como pessoa meio negra, meio branca, não devias ser tu a fazer isto.
Contra-argumento: Não vejo mais ninguém a assumir esta responsabilidade
Objeção 5: Dai a César o que é de César.
Contra-argumento: Os Estados Unidos da América são governados pela lei, não por uma ou várias pessoas. Na medida em que os representantes e juízes não cumprem a lei, ninguém é obrigado a dar-lhes nada que tenha sido ordenado ilegalmente.
Gostaria também de expressar o meu agradecimento a muitas pessoas, uma vez que provavelmente não terei oportunidade de voltar a falar com elas (a menos que os Serviços Secretos sejam *surpreendentemente* incompetentes).
Obrigado à minha família, tanto a pessoal como a da igreja, pelo vosso amor ao longo destes 31 anos.
Obrigado aos meus amigos, pela vossa companhia ao longo de muitos anos.
Obrigado aos meus colegas de vários empregos, pela vossa positividade e profissionalismo.
Obrigado aos meus alunos pelo vosso entusiasmo e amor pela aprendizagem.
Obrigado a todos os conhecidos que fiz, pessoalmente e online, pelas interações breves e pelas relações duradouras, pelas vossas perspetivas e inspiração.
Obrigado a todos por tudo.
Atenciosamente,
Cole “coldForce” “Friendly Federal Assassin” Allen
PS: Ok, agora que toda a parte sentimental já passou, o que raio está o Serviço Secreto a fazer? Desculpem, vou desabafar um pouco aqui e deixar de lado o tom formal.
Tipo, esperava câmaras de segurança em cada esquina, quartos de hotel com escutas, agentes armados a cada três metros, detetores de metais por todo o lado.
O que encontrei (quem sabe, talvez estejam a pregar-me uma partida!) é nada.
Nenhuma segurança.
Nem no transporte.
Nem no hotel.
Nem no evento.
Tipo, a única coisa que reparei imediatamente ao entrar no hotel foi a sensação de arrogância.
Entro com várias armas e nem uma única pessoa ali considera a possibilidade de que eu possa ser uma ameaça.
A segurança no evento está toda lá fora, focada nos manifestantes e nas chegadas do momento, porque aparentemente ninguém pensou no que acontece se alguém fizer o check-in no dia anterior.
Tipo, este nível de incompetência é de loucos, e espero sinceramente que seja corrigido até que este país volte a ter uma liderança realmente competente.
Tipo, se eu fosse um agente iraniano, em vez de um cidadão americano, poderia ter trazido uma maldita Ma Deuce para aqui e ninguém teria dado por nada.
É mesmo de loucos.
Ah, e se alguém estiver curioso para saber como é fazer uma coisa dessas: é horrível. Apetece-me vomitar; apetece-me chorar por todas as coisas que queria fazer e nunca vou fazer, por todas as pessoas cuja confiança isto trai; sinto raiva ao pensar em tudo o que esta administração fez.
Não posso mesmo recomendar! Continuem na escola, miúdos.
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