Festival Regional de Teatro abre no “Liceu” com as ironias da metamorfose humana ao sabor de Kafka

A 34ª Edição do Festival Regional de Teatro Escolar Carlos Varela arrancou hoje na Escola Secundária Jaime Moniz com uma dramatização de abertura insólita  mas desafiante. Um homem, inserido numa família com limitadíssimos recursos, a sua transformação da noite para o dia num monstro, o choque e a rejeição da família e a lição da desumanização de uma sociedade que só aceita braços e cérebros sadios para o trabalho porque é preciso pagar contas.

A presidente do conselho executivo da ESJM, Ana Isabel de Freitas, abriu o evento, desafiando os jovens à criatividade e a reapresentar a vida através do drama, agradecendo a presença dos diferentes representantes institucionais. Este Festival é uma referência inequívoca no Teatro Escolar Regional da Madeira, em homenagem também ao seu fundador, Carlos Varela, saudoso professor da Jaime Moniz.

Associação Palco Vazio levou à cena a peça de abertura, inspirada em Franz Kafka, intitulada “Metamorfose”. Ao estilo enigmático e complexo de Kafka, foi recordada a história de Gregor Sams que trabalha para sustentar uma família pobre, sem condições sequer para pagar a renda e com um patrão dissimulado e mercenário. Durante a noite, alheio à sua vontade, inicia-se um processo inexplicável de transformação de Gregor para homem inseto ou bicho que a todos repugna e suscita também no próprio perplexidade e revolta. Uma mudança que o amarra ao leito do quarto, ao isolamento, o que adensa no modesto lar o sofrimento. Só a moldura da irmã o agarra à vida, mas também isso se esfuma com o passar dos dias. A sociedade precisa de mãos e cérebros sadios para o trabalho, para pagar as contas e não de figuras estranhas encarceradas nos quartos, mudas e apáticas. A morte do monstro, sozinho, rejeitado, devolve à família a tranquilidade.

A partir desta terça feira, o Fessival prossegue com o palco entregue aos estudantes artistas. Faz estreia no dia 10 de março, às 15h00, o grupo Voo à Fantasia, da EBS Padre Manuel Álvares, que traz a peça “O último comboio” de Eva Gonçalves, Helena Dias e Grupo Voo à Fantasia. No dia 11 de março, às 10h00, O Moniz – Carlos Varela, da Escola Secundária de Jaime Moniz, apresenta a peça, “Olivia” de Mariana Jones. Na quinta-feira, a Oficina de Teatro Corpus, da Escola Secundária Francisco Franco apresenta a peça  “Lá, onde nos…”, criação coletiva ; ainda no mesmo dia, teremos O Grupo de Teatro Amarelo da Escola Básica e Secundária da Ponta do Sol, às 12h00, com a peça “Maré Alta”;  às 15 horas  a Peça “Histórias da Ilha” é apresentada pelo Grupo de Teatro O Comboio da Escola Dr. Ângelo Augusto da Silva.

Na sexta-feira, O Clube de Teatro da Escola Dr. Francisco Freitas Branco, Porto Santo, encerra o concurso com a apresentação da peça “A Barbearia”, uma adaptação de Miguel Silva.

No Festival serão atribuídos os prémios de Melhor ator, Melhor atriz, Melhor sonoplastia, Melhor encenação, Melhor texto, Melhor Realização Plástica e Prémio Carlos Varela. São ainda atribuídas menções honrosas e louvores, de acordo com os trabalhos e temáticas apresentadas.

O painel de jurados é constituído por Filipa Gomes, do Departamento de Cultura da Câmara Municipal do Funchal; Catarina Faria, em representação do Teatro Municipal Baltazar Dias; Diogo Correia Pinto, Diretor do Curso Profissional de Artes do Espetáculo-Interpretação do Conservatório-Escola Profissional das Artes da Madeira – Eng. Luiz Peter Clode; Ricardo Brito, da Associação OITO – Oficina de Ideias das Terras do Oeste; Xavier Miguel, do Teatro Bolo do Caco.

Este projeto, criado pelo professor Carlos Varela, conta com o apoio da Câmara Municipal do Funchal e do Teatro Municipal Baltazar Dias que permite ao grupo vencedor apresentar o seu trabalho neste espaço icónico da Região, no dia dois de maio.


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