Estepilha: pão pelo chão, oxalá não dê azar…

Rui Marote
O Estepilha não quer ser “mauzinho” mas está sempre atento a estes pormenores engraçados e delirantes do quotidiano madeirense. Neste caso registámos estas curiosas fotos na inauguração com pompa e circunstância de uma pastelaria, em que a decoração foi longe de mais. Foi na recém-inaugurada “Felisberta”.
Às entidades e convidados, envolvidos pelo cheiro do bolo de mel, passou-lhes despercebido o que só o Estepilha através da sua objectiva irónica, registou. A ocasião meteu “benzedura” para que as novas instalações recebessem as bençãos do Senhor.
Curioso é que o cónego que presidiu ao auto tinha literalmente pão a seus pés. O que lembrou ao Estepilha que beijar o pão que caía ao chão é uma tradição popular, com raízes muito fortes em Portugal, que simboliza respeito profundo pelo alimento, gratidãoe ainda uma conotação supersticiosa ou religiosa.
Historicamente, o pão era o alimento básico e em tempos de escassez (como na Idade Média), muitos sobreviveram consumindo apenas este alimento. Dada a sua importância, era tratado quase como algo sagrado.
Assim, beijar o pão ao apanhá-lo do chão onde caiu é um reconhecimento desse esforço e um acto de gratidão por ter comida. O pão não deve ser desperdiçado ou tratado com desprezo, por isso o beijo serve para “pedir desculpa” por ter caído e devolvê-lo à mesa com dignidade.
Neste caso, o pão fez parte da decoração e achou-se por bem colocá-lo no chão, aos pés do sacerdote…
Oxalá não dê azar, porque “comer o pão que o Diabo amassou” é outra expressão popular…
Se o Estepilha pudesse fazer uma recomendaçãozinha, dizia aos donos do espaço para apanharem imediatamente o pão e beijá-lo, pedindo desculpas do tratamento desrespeitoso. Não vá o diabo tecê-las…

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