Anna Chraniuk e Igor Chraniuk nasceram na Ucrânia mas residem presentemente na Polónia. Têm a particularidade de ser um casal unido não só pelo casamento mas também pela paixão à música. Ele, com 73 anos de idade, toca piano, ela, com 72, toca o raríssimo instrumento musical de cordas, típico da Ucrânia, que dá pelo nome de bandura. Na Madeira, também desconhecido mas com uma melodia de encantar, tal é a suavidade e beleza das cordas.
Ambos apaixonaram-se também pela Madeira, onde passam meio ano cá e a outra metade na Polónia, onde residem. Sentem-se em casa na Madeira, onde encontram paz, hospitalidade e bom clima, e até já adquiriram uma moradia para estarem na Ilha com mais frequência. Têm um sonho: mostrar à Madeira o seu talento musical. As relações de amizade com amigos do Conservatório local estreitam os laços, como é o exemplo da pianista e organista Galina Stetsenko e muitos outros. Mas sonham com a possibilidade de promover na Assembleia Legislativa da Madeira, palco de tantos artistas e festivais, um concerto com nomes célebres e esquecidos da arte vocal, para apresentar brios na música, interpretando composições de Wagner, Strauss, Mahler, bem como Vasyl Barvinsky e Kyrylo Setsenko, assim como de compositores portugueses como Vianna da Motta e Ivo Cruz. Esta proposta de levar a efeito um concerto na Assembleia, de 13 a 23 de agosto próximo, foi enviada ao atual presidente da Assembleia, José Manuel Rodrigues. Como está de saída e tudo indica que Rubina Leal deverá substituí-lo, o casal de músicos lança, através do FN, a sua proposta para que possam exprimir os seus talentos. Também farão chegar à nova presidente da Assembleia a sua carta.
O casal pretende ainda tocar na Madeira com a filha e o marido, que integram o grupo Seele and Seele, e que residem presentemente na Alemanha. Estão mesmos dispostos a patrocinar as viagens até à Madeira dos artistas para um concerto mais abrangente. Ela, Roksolana Charniuk, corista e solista do Rundfunkchor Berlin. Estudou canto clássico na Universidade de Artes de Berlin e tem sido premiada, apresentando-se em recitais com as orquestras alemães. Em 2022, publicou o CD Seel and Seele, com o barítono George Streuber (coralista e solista) e a pianista Mai Yakushiji, premiados também pelas suas ricas interpretações.
A carta endereçada a José Manuel Rodrigues não obteve ainda resposta, mas o casal de músicos acredita que Rubina Leal irá apoiar esta iniciativa que também dará a conhecer o belíssimo instrumento musical como a bandura. Explicam ao FN, com a ajuda do amigo e tradutor Roman Cliervonovskyy, na Madeira há 23 anos, que a bandura ainda é muito desconhecida. Assemelha-se a uma harpa, no avião paga uma passagem pelo transporte, pois é imponente e elegante. Tem 65 cordas e é feita na Ucrânia a partir de um tronco de madeira. Um dos alvos a abater na antiga União Soviética foram os músicos, a cultura musical que expressa a verdade e a liberdade, daí que, em 1933, mais de 300 músicos que se juntaram para um concerto ao som da bandura, em Kharkiv, foram assassinados pelo comunismo. Por isso, o sonho deste casal continua a ser a possibilidade de ver na Madeira um grande espetáculo musical, com uma junção de instrumentos tradicionais de cordas da Madeira e o trabalho destes músicos ucranianos, numa junção de sons e culturas com aspetos similares, num intercâmbio cultural muito interessante. É de salientar que a bandura permite tocar todo o tipo de música, desde clássica ao jazz.

Num tempo conturbado como vive hoje a Ucrânia, este casal não acredita que a paz esteja para breve. A Ucrânia, dizem, é vítima de um agressor, a Rússia. Muitos músicos, também banduristas, fugiram e estão espalhados pela Europa, levando consigo as raízes da sua cultura, através dos seus instrumentos. Não têm esperanças de que Trump vá trabalhar pela paz, pois, tal como Putin, são negociantes. Além do mais, é impossível negociar com a Rússia que quer expandir-se cada vez mais.
O objetivo deste casal é ter uma oportunidade para integrar os concertos da Madeira, mostrar a diversidade e riqueza cultural do seu país. Afinal, a Madeira não é apenas um ponto turístico mas é também o ponto de confluência de uma diversidade cultural de músicos com talento. Por isso, vão insistir com os principais representantes da Assembleia Legislativa da Madeira e o Governo Regional para conseguirem dar música de qualidade à nossa terra.
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