PS diz que “chantagem” do GR com paragem de obras cria incertezas e instabilidade

Miguel Silva Gouveia foi um dos oradores dos Estados Gerais do PS, subordinados à temática da Economia. O ex-presidente da Câmara do Funchal, que abordou a questão do sector público enquanto motor de desenvolvimento regional, afirmou que a Madeira vai precisar do sector empresarial para a execução das políticas públicas e defendeu a necessidade de parcerias público-privadas eficientes, refere uma informação dos socialistas.

O engenheiro, actual vereador na autarquia funchalense, não deixou, contudo, de deixar críticas à postura que o Governo Regional tem tido ao fazer chantagem com a paragem de obras, situação que, disse, desmobiliza as empresas e cria incerteza e instabilidade no sector.

Por outro lado, o orador apontou a necessidade de precaver a redução dos fundos comunitários e preparar a Madeira para uma gestão mais eficiente.

“Temos de perceber o que vai ser da economia regional quando as fontes de financiamento deixarem de ter o peso que atualmente têm”, declarou, reforçando a necessidade de antecipar o risco de diminuição de fundos e diversificar as fontes de financiamento.

Miguel Silva Gouveia considerou ainda que o sector público é fundamental para a Madeira, mas precisa de ser mais eficiente e menos dependente da volatilidade política.

“O futuro da Madeira não pode continuar entregue ao acaso. O futuro da Madeira precisa de confiança, de credibilidade e de compromisso”, declarou.

O orador abordou também a temática da Administração Pública, constatando que as carreiras enfrentam desafios estruturais, que passam pela estagnação e pela progressão lenta e burocrática, o que conduz à desmotivação dos trabalhadores.

Deu ainda conta de que o sector público é o que emprega mais funcionários na Madeira e propôs uma reforma do sistema de avaliação e progressão na carreira, tornando-o mais transparente, bem como a criação de mecanismos de mobilidade interna.

Por seu turno, José Luís Freitas, ‘country manager’ do Grupo Amper em Portugal, abordou a questão das novas tecnologias considerando que a Região tem talento neste domínio, quer com pessoas a trabalhar para fora, quer com os nómadas digitais.

O orador sublinhou que a área das tecnologias é fundamental para a internacionalização, podendo ajudar na sustentabilidade regional ao nível económico, social e ambiental.

Por outro lado, José Luís Freitas adiantou que a Região pode avançar muito mais na área das energias renováveis, aproveitando a aplicação da tecnologia para esse efeito.

Frisou também que a Madeira deve ser um actor na descarbonização dos portos, acrescentando que, apesar de isso implicar um grande esforço, a Região tem uma boa oportunidade de se posicionar como uma ator de referência nesta matéria. Do mesmo modo, afirmou que a Madeira pode crescer com a Inteligência Artificial, usando-a de forma criativa, abrangente e multisectorial.


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