Banhos de chaleira durante meses no Lar da Bela Vista

A vice-presidente da Associação Living Care, responsável pela gestão do Lar da Bela Vista, no Funchal, admitiu hoje que foram dados banhos aos utentes com recurso a chaleiras, mas garantiu que todos os cuidados de higiene estão assegurados, refere a agência Lusa. Recorde-se que o FN publicou uma reportagem a 5 de Setembro sobre o assunto, reportando também o estado de degradação do edifício.

Foi no decurso uma audição na Comissão Permanente de Inclusão Social e Juventude da Assembleia Legislativa da Madeira, requerida pelo PS, que Andreia Teixeira admitiu que foram dados banhos aos utentes com recurso a chaleiras, devido a uma avaria da caldeira. Mas, precisou, foi sempre usada água quente, nunca água fria.

A situação foi resolvida na segunda-feira, depois de “alguns meses” de banhos com chaleiras, admitiu.

Andreia Teixeira disse que “estão a ser assegurados todos os cuidados e toda a higiene” aos utentes.

O Lar da Bela Vista, cujo edifício apresenta um visível estado de degradação, tem sido alvo de várias críticas e denúncias públicas relacionadas com alegadas condições deficientes de funcionamento e assistência aos utentes, sobretudo desde que a gestão transitou da esfera pública para o sector privado, em 2023.

Andreia Teixeira disse aos deputaos que não há atrasos nas refeições dos utentes, embora admita alguma “falha pontual”. Negou ainda as reclamações de medicação fora do prazo, citadas pela deputada do PS, Marta Freitas.

“Não temos falta de pessoal de momento”, reconheceu a vice-presidente da Associação Living Care. Mas insistiu que “em momento algum os utentes deixaram de ter as actividades, em momento algum os utentes deixaram de ter apoio”.

Andreia Teixeira disse também que não foram até ao momento registadas queixas no livro de reclamações, indicando, porém, que foram feitas duas queixas directamente ao Instituto de Segurança Social da Madeira.

Depois destas declarações, confrontada pelo deputado do JPP Miguel Ganança, a responsável admitiu que em janeiro deste ano a instituição ainda não dispunha de livro de reclamações e encontrava-se a aguardar o envio do mesmo.

Andreia Teixeira reconheceu ainda que o edifício apresenta sinais de degradação e justificou que o modelo de gestão imposto pelo Instituto de Segurança Social da Madeira “muitas vezes não ajuda a fazer um melhor ou a aplicar um melhor modelo”.

Segundo a vice-presidente da Living Care, foi submetida uma candidatura ao abrigo do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para requalificar o edifício, sendo que, em caso de não ser exequível, devido aos prazos impostos pelo PRR, terá de ser encontrado “um plano B” para proceder às obras de requalificação.

A Comissão Permanente de Inclusão Social e Juventude vai ainda ouvir o administrador cessante do Lar da Bela Vista, Tony Saramago, a secretária regional da Inclusão e Juventude, Ana Sousa e a presidente do Instituto da Segurança Social da Madeira, Micaela Freitas.

O Lar da Bela Vista, situado na zona leste do Funchal, foi construído na década de 70 para ser uma unidade hoteleira, mas nunca funcionou como tal e acabou por ser adaptado para se tornar um lar de idosos com gestão pública.

Em julho de 2023, o Governo Regional transmitiu o imóvel e a sua gestão para a Associação Living Care, conclui a Lusa.


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