DRC faz advertências ao uso do Forte de S. Tiago e quer Museu de Arqueologia em 2025
O Forte até já serve para lavagem de carros com água da rede pública…
Luís Rocha/Rui Marote
O Funchal Notícias tem vindo a alertar, ao longo dos últimos anos e em múltiplos artigos, para a degradação da Fortaleza de São Tiago no Funchal, imóvel que urge preservar. Constate abaixo alguns dos links, da autoria de jornalistas e colaboradores, que traduzem bem o nosso empenho na defesa deste património:
Estes artigos, entre outros, reflectem a situação de um importante património que hoje parece entregue apenas a empresas de restaurantes e de transportes de turistas em carros clássicos, sem que isso seja um mal, de per si. O pior são os abusos que por vezes ocorrem.
A somar-se à avançada degradação do espaço, agora até parece que o mesmo se transformou numa espécie de stand de lavagem de automóveis com água da rede pública (ver fotos anexas). Situação algo insólita, e que reportámos à DRC.
Conforme já escreveu o nosso colaborador, o historiador Nelson Veríssimo: “Nada impede a existência de um restaurante num monumento. Pode até trazer vantagens. Contribuir para a sua divulgação, salvaguarda e segurança. Mas há que delimitar espaços e estabelecer regras de coabitação. A Região não deveria abdicar deste princípio, tão-pouco dele se esquecer, porque se trata de Património público e visitável. Ao Forte o que é do Forte e ao Restaurante o que é do Restaurante”.
Assim, quisemos confrontar o director da DRC, Medeiros Gaspar, com esta realidade da por vezes ocupação excessiva do forte e dos atrasos na melhoria dos planos governamentais para o espaço, que avança em degradação. Colocámos as seguintes questões:
– Qual é o ponto da situação relativamente à Fortaleza, do ponto de vista governamental, quanto à sua recuperação e melhor aproveitamento?
– Não detecta a DRC eventuais abusos por parte dos empresários que têm a concessão do espaço, na montagem de tendas, lavagem de carros, colocação de lixo ou de materiais em espaços menos apropriados, etc., gestão geral do espaço global, conforme pode ser visto nas reportagens do FN?
– Não urge, portanto, e dado o seu valor patrimonial e turístico, disciplinar a utilização do espaço e favorecer o melhor aproveitamento do seu potencial museológico?
– Olha o Dr. Medeiros Gaspar com alguma preocupação para o estado actual e presente utilização da Fortaleza?
– Quando se poderá esperar uma modificação da situação actual?
– Que planos tem o GR actualmente para a valorização daquele espaço, sabendo-se que já os tinha há anos mas não foram implementados?
O Governo Regional, via DRC, respondeu-nos de uma maneira sintética, não totalmente esclarecedora como desejaríamos, mas respondeu. Transcrevemos, pois, a resposta na íntegra, pelo conteúdo relevante:
“O Governo Regional pretende abrir o Museu de Arqueologia da Madeira na Fortaleza de São Tiago em 2025. Para tal, já decorreu uma primeira intervenção no espaço que permitiu recuperar e preparar as salas e espaços interiores para as futuras áreas expositivas. Estão agora em curso outros trabalhos de recuperação, a par e passo com o projeto de musealização.
Relativamente a algumas situações ocorridas no espaço concessionado, a Direção Regional da Cultura (DRC) tem vindo a advertir o concessionário sempre que se verifica necessidade para tal.
Quanto às fotografias enviadas, logo que a DRC tomou conhecimento da situação, entrou em contacto com o concessionário a fim de obter explicações para o sucedido, tendo sido informada que se tratou de uma situação pontual e extemporânea, de iniciativa de um funcionário. Foi também garantido que não se repetirá”.