Os vereadores do Juntos Pelo Povo (JPP), na Câmara Municipal do Funchal, consideram “cada vez mais evidente o estado de inércia em que PSD/CDS mergulharam o Funchal”, passados que estão seis meses após as eleições autárquicas.
“Decorrido que está o dobro do tempo do habitual estado de graça de 100 dias, não há um vislumbre de nada, não há soluções para resolver a habitação, reduzir o custo de vida, o trânsito, apenas gestão corrente e mesmo assim já registam prejuízos graves ao nível do património”, acusa o partido.
Fátima Aveiro e António Trindade afirmam que, com a situação internacional a agravar as condições de vida dos funchalenses, tem crescido “o desânimo” na população. “É isso que temos registado nos diferentes contactos que temos desenvolvido e também nas audiências da Câmara abertas aos munícipes”.
“Esses contactos revelam o lado esquecido das estatísticas e trazem para o centro da decisão política a realidade de quem já não consegue viver com dignidade na cidade”, lamentam, para acrescentar que a maioria PSD/CDS na autarquia “revela uma profunda insensibilidade para com as dificuldades das pessoas, das famílias, dos jovens, isto não é governar”.
Na opinião dos autarcas do JPP “estamos a assistir ao vivo e em tempo real ao fracasso de um modelo económico e de uma governação que exibe números de sucesso, mas que deixa milhares de pessoas sem resposta em matérias essenciais como a habitação, os rendimentos e as condições de vida”.
Fátima Aveiro e António Trindade recorrem aos números oficiais. De acordo com dados recentes da Direcção Regional de Estatística, resultantes do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento (ICOR) da população da Madeira em 2025, e divulgados recentemente, cerca de 53 mil madeirenses vivem em risco de pobreza ou exclusão social, numa Região com cerca de 250 mil habitantes.
Tendo o Funchal quase metade dessa população, é evidente que o problema assume uma gravidade particular na capital, atingindo dezenas de milhares de funchalenses.
Ao mesmo tempo, o Funchal surge entre as cinco cidades do país com as rendas e o preço das casas mais elevados. Em Março deste ano, as rendas registaram um agravamento de 11%, com o preço médio de um único quarto a atingir os 500€ e a média das rendas a ultrapassar os 1.700 euros mensais, valores claramente incompatíveis com os rendimentos da esmagadora maioria das famílias.
Para os vereadores do JPP, as consequências são evidentes: partilha forçada de habitação, recurso a soluções precárias, ocupação de imóveis devolutos em condições indignas, jovens sem possibilidade de sair de casa dos pais e idosos a viver sem o mínimo de conforto.
Os relatórios oficiais confirmam a degradação das condições de vida. De acordo com a DRE, entre 2024 e 2025 o número de habitações sobrelotadas aumentou 4,1%, ou seja, um em cada quatro madeirenses vive em casas com excesso de pessoas, ultrapassando as 60 mil.
Nesta área específica, a Madeira apresenta actualmente cerca de 23,5% de casas sobrelotadas, o equivalente ao dobro da média do continente, que se situa nos 12,7%. Sendo a população fortemente concentrada no Funchal, é, naturalmente, na capital madeirense que mais pessoas vivem na mesma casa, sem espaço, sem privacidade e muitas vezes sem condições de salubridade.
“Esta realidade não é nova”, observam os vereadores do maior partido da oposição.
“A coligação PSD/CDS, que governa a Câmara Municipal do Funchal há cinco anos, não construiu habitação pública nem lançou um verdadeiro programa de habitação social capaz de responder às necessidades da população. O que cresce na cidade são empreendimentos de luxo e unidades hoteleiras, enquanto a construção de habitação acessível continua adiada”.
Fátima Aveiro e António Trindade referem que estes dados trazem à evidência a “profunda incoerência” do PSD/CDS: “Acusam Santa Cruz de alegada inacção na habitação, quando foi o próprio PSD que deixou a autarquia falida, sem dinheiro para nada, mas não explicam como é que uma Câmara que deixaram com os cofres rapados poderia construir habitação. Sendo a falta de habitação, em todos os concelhos da Região, uma marca negra do PSD/CDS, importa perguntar o que fez PSD/CDS no Funchal, com recursos financeiros próprios, para enfrentar esta crise. Não construíram nada! Os dados oficiais do próprio Governo Regional expõem o falhanço das prioridades seguidas até agora, deitando por terra o discurso triunfalista e desmontando a narrativa de sucesso do atual modelo económico.”
Os vereadores do JPP reafirmam que a habitação é hoje o maior problema do Funchal e garantem que continuarão a escrutinar todas as medidas nesta área, exigindo uma mudança de prioridades que coloque as pessoas, a dignidade e o direito à habitação no centro da ação política.
“O Funchal precisa de rumo, ideias e visão, e não de propaganda disfarçada de progresso”, sentenciam.
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