Avenida do Mar copiou Coreia do Norte: só faltou o “Grande Líder”

A Avenida do Mar  e das Comunidades foi hoje transformada numa “Disneylândia”.
Toda a faixa sul estava encerrada ao trânsito até ao inicio da Avenida Sá Carneiro, transformada na Praça Kim II-Sung na capital Pyongyang, Só faltaram as bandeirinhas nas mãos dos espectadores e a presença do grande líder.
Ao som de “Grândola Vila Morena” as modalidades desportivas vieram para a rua  para se exibir e dar a conhecer as suas práticas.
Regressámos aos finais dos anos Setenta, em que a Madeira só tinha um pavilhão, o do Liceu, que o Marcelismo nos deixou, inaugurado por Veiga Simão.
O União treinava nos jardins da avenida do mar à noite e com subidas e descidas na Rua do Quebra Costas.
O Nacional treinava no parque de Santa Catarina e o Marítimo no Almirante Reis e no Liceu.
Os governos regionais de Alberto João Jardim construíram entretanto, pavilhões em todos os novos estabelecimentos  de ensino devidamente apetrechados para a prática do andebol, voleibol e basquetebol.
Construíram-se piscinas até no Curral das Freiras, campos de futebol na Ponta de Sol, Santana, Machico, Porto Moniz, São Vicente, Boaventura e Prazeres, não esquecendo o Porto Santo com cerca de 4000 mil habitantes; pavilhão de hóquei;  campos de ténis e de golfe e estádio de voleibol de praia.
Não esqueço que a falta de recintos levou o professor Fernando Ferreira a utilizar a Praça do Peixe no mercado à noite, para treinos de basquetebol.
Voltando às comemorações do 25 de Abril, registe-se a cerimónia oficial na Assembleia, que não teve parada militar (não temos soldados suficiente para um desfile). Não é só na RAM: na Marinha, por despacho do Chefe de Estado da Armada, com a falta de pessoal, ordenou por um período de três meses em que cargos que eram ocupados por cabos, primeiros marinheiros, vão  passar a ser preenchidos por militares com o posto de segundo sargento.
Uma duvidosa legalidade: o artigo 41º do mesmo EMFAR determina que “o militar não pode ser nomeado para cargo a que corresponda posto inferior ao seu nem, salvo disposição legal em contrário, estar subordinado a militares de menor patente ou antiguidade”.
A única manifestação digna de nota, assim, ficou-se por uma marcha desde o Largo do Colégio até ao cais da cidade, dos antigos combatentes em África. Uma autêntica reserva para integrar na NATO caso nos seja solicitado.
Na frente não vi a fanfarra ou banda militar, mas sim os tambores dos bombeiros sapadores. Na Sé Catedral á mesma hora, decorria uma missa com a presença de outros combatentes com guarda de honra e presença de corneteiros e de dois polícias lanceiros.
Na ponta do cais, foi lançado ao mar um ramo de flores oferecido pela Secretaria de Turismo e Cultura. É cerimónia habitual na Marinha lançar coroas de flores ao mar. Mas não estou a ver os combatentes invocarem  ” Iemanjá”. Enfim, cada cabeça, sua sentença.
Foi um 25 de Abril e um primeiro de Maio adiantado. Explicar o seu significado é aproveitar para inspirar nos jovens interesse por uma carreira militar que não existiu.
Numa outra nota sucessória, recordo que há vinte anos atrás efectuava um inquérito no cais, sobre o que foi o 25 de Novembro. Num dos bancos estavam uns idosos: – Boa tarde, respondam,  é fácil, exortámos. Entre os quatro anciãos passam a batata quente de um para o outro: “Responde tu… Não, é melhor seres tu!”. A jornalista lá fez a pergunta: “Sabe o que aconteceu no 25 de Novembro? “Então não me lembro, menina, foi uma enxurrada! Era água por todos os lados”.
Lá dissemos: “Obrigado, adeus”…

Descubra mais sobre Funchal Notícias

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.