Ambiente “morno” em várias sedes de campanha, à espera de declarações

Fotos Luís Rocha

Ainda é evidentemente muito cedo, mas numa pequena ronda por algumas sedes de campanha, ficou evidente para o FN que estas eleições legislativas nacionais não são nem de perto nem de longe tão vividas como as regionais. O que aliás é natural.

Mesmo assim, ficámos algo curiosos com o ambiente desértico que fomos encontrar em sedes como as do PSD ou da CDU, em que o acompanhamento dos resultados eleitorais em directo nas televisões é feito “nas traseiras”, enquanto uns poucos jornalistas permanecem de “plantão” frente aos palcos oficiais, aguardando, com ar solitário e algo entristecido, que algum dignitário do partido se digne avançar para a frente das bandeiras e suba ao “pódio” para produzir algumas declarações dignas de registo.

Encontrámos uma excepção na sede do Bloco de Esquerda, onde todos, jornalistas, candidatos e militantes, compartilham a mesma sala acompanhando a evolução dos resultados pela televisão, num ambiente mais animado.

Ali, a cabeça-de-lista pela Madeira, Dina Letra, prestou-se a conversar connosco, comentando as perspectivas do Bloco e a ascensão anunciada do seu mais directo adversário, a extrema-direita, o outro lado do espectro.

Perante a perspectiva avançada numa projecção entre 5 a 7 mandatos para o BE na Assembleia da República, Dina Letra comentou estar optimista e adiantou que ainda faltam contar muitos votos.

“Em relação à Madeira, nós sempre estivemos conscientes das dificuldades, mas dissemos que a perpectiva seria crescer em relação às últimas eleições. Aguardamos com tranquilidade o resultado final. Fizemos uma boa campanha, que foi a quase toda a RAM. Infelizmente não pudemos ir ao Porto Santo”, disse Dina Letra. “Mas temos a percepção, e a ambição, de subir em relação às últimas eleições. Em relação ao todo nacional, ainda falta fechar muita coisa, incluindo os grandes centros urbanos, que é onde se concentra muito do eleitorado do BE”, acrescentou.

“Temos a perspectiva de subir também a nível nacional, mas vamos aguardar”, declarou.

“Estamos optimistas, e confiantes. Pensamos que o povo português não quer voltar atrás”.

Perante as previsões da ascensão do “Chega”, inclusive na Madeira, a candidata de esquerda atribuiu-a ao “descontentamento e revolta das pessoas”, porque as pessoas se confrontam com problemas muito sérios como o aumento do custo de vida ou a falta de habitação.

As pessoas embarcam, então, num discurso populista, uma “conversa de tasca” que é dita por André Ventura. “Digo isto porque as pessoas na Madeira não sabem em quem é que estão a votar [referindo-se aos militantes locais]; votam apenas na figura de André Ventura. É a expressão desse descontentamento. As pessoas nem sequer conhecem o programa do “Chega”. Que, aliás, não existe, ele só andou a encher a boca com a palavra “Corrupção”, e acho que as pessoas foram ao engano”, concluiu.

“Mas vamos ver que resultados há aqui na Madeira”, disse, esperançosa.


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