O furo da aviação do ano é sem dúvida o anuncia da compra da SAS pelo grupo AirFrance-KLM. A SAS – Scandinavian Airlines System – é o incumbente aéreo da Escandinávia, com filiais na Suécia, Dinamarca e Noruega. A SAS Connect irlandesa serve para operar rotas em prol das escandinavas.

A SAS consolidou-se ainda mais após o (primeiro) ocaso da Norwegian e continuou a ser um dos pilares da Star Alliance, regendo a Escandinávia, zona onde a aliança só tem competição na Finlândia através da Finnair, membro da OneWorld.
Pode ser retaliação pela recente e arrojada incursão da Lufthansa na Itália. A potência aérea centro-europeia deu um passo para o mediterrâneo com a surpreendente aquisição de uma posição acionista dominante na ITA Airways, sucessora da Alitalia e futuro ex-membro chave da SkyTeam. A AirFrance-KLM foi em tempos acionista da defunta precedente AirFrance-KLM e mesmo tinha tendo perdido considerável soma financeira, conseguiu manter a Itália dentro da aliança que sempre controlaram. A defunta Lufthansa Italia foi um desastre e a presença do Grupo Lufthansa a sul dos Alpes resume-se praticamente à companhia regional Air Dolomiti. A OneWorld tomou conta da Espanha com a venda da AirEuropa (SkyTeam) ao grupo anglo-espanhol IAG, controlado pela Iberia e British Airways, devido às dificuldades económicas sentidas pelo pequeno operador – de rotas interessantes hispânicas – durante a pandemia. Com isso desapareceu a SkyTeam da Espanha, e com a falência da Spanair em 2012, a OneWorld ficou com a supremacia dos ares de “nuestros hermanos”.
A SAS é membro fundador da Star Alliance, tal como a Air Canada, a Lufthansa, a Thai Airways e a United Airlines. É inédita a saída de um fundador de qualquer uma das três grandes alianças, a não ser por fusão de dois membros. Podemos considerar como analogia um Brexit seguido de anexação pelos EUA.
A companhia andava a definhar financeiramente com a pandemia, e o fechar do espaço russo nada ajudou as rotas asiáticas operadas a partir da Escandinávia.
Qual será o próximo campo de batalha geo-aérea?
Portugal.
A TAP Air Portugal representa crescimento na América, não só do Sul pelas rotas veracruzanas, mas também para leste e oeste dos EUA. Domina um pequeno hub europeu, tem uma frota ultramoderna, e goza de proteção pública nacional e da ausência de concorrência com a mesma bandeira. A TAP só compete a sério em casa com lowcost (Ryanair, Easyjet, Transavia) e provam os números que há passageiros para todas.
Altura ideal para colocar à venda no mercado.
O desafio não é o quanto renderá. É como será a operação após a compra.
Ninguém acredita que a AirFrance-KLM tenciona valorizar a SAS. Nem a Lufthansa a ITA Airways. Tratar-se-á mais provavelmente de uma compra de oportunidade e de supressão de concorrência. Prova dessa crença é ver-se as ações da SAS a afundarem-se 95% com anúncio da compra e plano de reestruturação. Não estando a TAP na bolsa os indicadores de negócio são ocultos ao público.
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