Hecatombe abateu-se sobre o Marítimo: nos Barreiros, o Estrela da Amadora fez a festa

Fotos: Luís Rocha

*Com Rui Marote

Trinta e oito anos depois, o Marítimo abandona a primeira liga, num jogo duro frente ao Estrela da Amadora. É um acontecimento que emociona profundamente os maritimistas. É o culminar de um período muito difícil, já de há três anos a esta parte, e que começou na anterior direcção, mas que literalmente “explode” nas mãos da actual, presidida por Rui Fontes.

O resultado é catastrófico. As duas regiões autónomas, Madeira e Açores, não têm, neste momento, nenhum clube na primeira liga, com todas as consequências económicas e sociais que isso acarreta, em termos de projecção no todo nacional e no estrangeiro, em termos de deslocações de grandes equipas à Madeira com os seus adeptos, em termos turísticos e comerciais.

Na RAM, o Marítimo vem juntar-se a dois outros clubes que também desceram de divisão – o CS Madeira em Andebol (Femininos) e o CAB, em basquetebol masculino. Pode mesmo dizer-se que se tratou de um ano negro para o desporto madeirense.

No estádio dos Barreiros, o jogo decisivo que ditou, para o Marítimo, esta hecatombe foi duro e disputado, com jogadas arriscadas mas várias oportunidades de golo perdidas, muitos cartões amarelos e até um vermelho para o treinador do Estrela da Amadora, que perdeu a cabeça e a meio do jogo parecia querer bater em tudo e todos.

Entretanto, o esforço da equipa maritimista não foi suficiente para virar mais o resultado e, com 2 bolas a uma e depois de prolongamento, foi-se a penaltys e aí, além da perícia, há um elemento de sorte que naturalmente influencia muito o resultado e o Marítimo não logrou salvar-se.

Os adeptos maritimistas esforçaram-se muito por apoiar o seu próprio clube. Na noite dos Barreiros, muitos foram os cânticos e palavras de incentivo que se ouviram, várias as “ondas” que circularam pelas bancadas, muitas as luzes dos telemóveis acesas, quais velas, a mostrar esperança e também muitos (lamentavelmente) os assobios, gritos e insultos dirigidos à equipa adversária e à arbitragem. Felizmente os jogadores, esses, mostraram bastante mais fair-play uns com os outros.

Xadas marcou o primeiro tento aos 18 minutos de jogo, num golo muito celebrado. No entanto, o Estrela da Amadora, por entre muitos apupos e assobios no “Caldeirão” dos Barreiros, cedo empatou por Lopes. Depois foi a altura em que o colombiano Ramírez marcou o segundo golo, o que obrigou a prolongamento. Havia quem já desse a vitória do Marítimo por certa, por jogar em casa, nos penaltys. Mas o Marítimo acabaria por falhar nestes.

O Estrela da Amadora fartou-se, portanto, de ser apupado e assobiado, mas, no final, seriam eles a fazer a festa, enquanto os maritimistas se quedavam nas bancadas com um ar desolado. O desalento abateu o semblante dos espectadores, e um silêncio pesado instalou-se em todo o estádio e na massa associativa que abandonou o estádio. As pessoas quase nem falavam umas com as outras. Crianças choravam e eram confortadas pelos pais. E assim ficou traçada a sina do “Maior das Ilhas”.

Agora, os jogos disputados pelo Marítimo, no futebol, já não terão o mesmo fulgor. E urge repensar todo o modelo de gestão do clube, que será, seguramente, muito discutido nos próximos tempos.


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