
No dia 12 de maio de 2023, os alunos das turmas 6, do 12º ano e 46, do 11º ano, do “Liceu”, realizaram uma saída de campo, na modalidade de oficina pedagógica in loco.
A iniciativa realizou-se no âmbito dos projetos de “Cidadania e Desenvolvimento” das referidas turmas. Docentes e alunos deslocaram-se ao Fanal e à zona dos Tis, seguindo-se a descida e realização do percurso da Levada dos Cedros.
Segundo uma nota de imprensa remetida por João Inácio, com um texto de Ana Kauppila, tratou-se de um evento pedagógico realizado, como aludido, no quadro desta importante componente da educação escolar e que visou a sensibilização para a biodiversidade encontrada na Laurissilva madeirense, a sua sustentabilidade atual e futura, assim como a urgente necessidade de comportamentos mais respeitadores e orientados para a sua preservação. Os alunos puderam apreender a relevância do património histórico, cultural, ambiental e paisagístico desta importante área florestal da Madeira.
Segundo Ana Kauppila, procedeu-se a uma metodologia exploratória com informação técnica e científica, associadas à experiência sensorial, lúdica e de bem-estar proporcionada pelo contacto com a floresta e cujo impacto, quer ao nível da observação, quer da perceção se deseja duradouro.
Esta saída de campo foi organizada pelo docente de Educação Física da turma 06, do 12º ano, Inácio Silva Abreu que se fez acompanhar pela docente da disciplina de Biologia da referida turma, Lúcia Chícharo. No âmbito do desejado trabalho colaborativo entre docentes e da promoção destes valores e competências interpessoais, nos alunos, o referido docente endereçou o convite à participação, à turma 46, do 11º ano, cujo projeto se coaduna com o tema e objetivo desta visita, tendo o mesmo sido aceite. Acompanhou a turma a docente Ana Maria Kauppila. Assim sendo, e tratando-se de uma visita a lugares específicos da floresta madeirense, o professor João Inácio Abreu convidou, ainda, o técnico António Santos.
Ana Kauppila refere que a viagem se iniciou, no Funchal, em autocarro fretado para o efeito, com a colaboração dos docentes e encarregados de educação. A primeira paragem foi no Fanal, com descida até à zona das Tis, tendo os alunos a oportunidade de abraçar o mais antigo exemplar de Til de que há registo, nesta ilha. O Fanal recebeu o grupo com uma desejada e característica bruma, anunciando a sua longínqua História e acolhendo a visita com a solenidade paisagística que o define. Passámos pela lagoa, encontrámos os bovinos mansamente no pasto e fizemos uma pausa para explicação acerca da biodiversidade e dos ecossistemas que ali podemos encontrar, assim como a sua relevância e as suas funções ecológicas.
Seguiu-se uma descida (íngreme) para a matriz da Levada dos Cedros, com passagem pela lagoa e queda de água que a alimenta. Ao longo do percurso, foi possível contar com as permanentes explicações do técnico António Santos que não só tem um conhecimento aprofundado sobre todos os percursos, como ajudou a identificar os diversos elementos que constituem a floresta local ressaltando a importância dos mesmos no quadro da preservação dos necessários equilíbrios ambientais. Ficámos a saber que a Levada dos Cedros já não conta com qualquer cedro, resultado de uma violenta desertificação desta espécie, provocada pelo homem, em busca da sua madeira. No mesmo sentido, são raros os vinháticos, vítimas da mesma atitude predadora. Não foi despicienda a referência a boas práticas de utilização da floresta em benefício da humanidade. Os cedros são árvores muito especiais, demoram muito tempo a desenvolver-se. No entanto, quanto mais tarde for decidida a sua replantação, mais gerações serão privadas de um valioso contributo à qualidade ambiental e ecossistémica deste pulmão da ilha. Recordámos a frase segundo a qual “Quando um homem planta uma árvore, sabendo que nunca irá se sentar à sua sombra, começou a entender o sentido da vida”. Foi-nos explicado como os equilíbrios entre árvores e animais se realizam e, não raras vezes, se anulam mutuamente, provocando danos aos quais os responsáveis devem estar atentos pois os efeitos das alterações climáticas produzem, inexoravelmente, uma degradação do ambiente à qual é urgente dar respostas consistentes e coerentes no sentido do cumprimento dos ODS acima descritos, assim como dos seus principais indicadores. Os jovens participantes, alunos de Ciências e Tecnologias (12º 06) e de Humanidades (11º46) desempenharão papeis cívicos de muita importância e, eventualmente, de decisores políticos para os quais esta preparação, ao nível do exercício de uma cidadania ativa e informada, cumpre uma missão fundamental. Os cursos de água, neste caso as levadas, constituem não só um património arquitetónico ambicioso e audaz, como caracterizam, morfologicamente, as serras da madeira. Recolhem e distribuem a água necessária ao consumo para os mais diversos fins, tornando a vida em sociedade mais confortável e com um alto índice de bem-estar. Assim, a relação entre território, paisagem e sustentabilidade, foi privilegiada no quadro das abordagens feitas, cumprindo-se a “Estratégia Nacional da Educação para a Cidadania”.
A Escola tem assumido muitas missões de Educação que desempenha no quadro, mais lato, de uma intencionalidade educativa integral, no sentido da formação de cidadãos que possam adotar “comportamentos que visam a preservação dos recursos naturais no presente, tendo em vista as gerações futuras”.
No regresso ao Funchal, foi ainda feita uma breve paragem no miradouro da Ribeira da Janela, de onde se avista a imensidão montanhosa e oceânica que define esta ilha e que os alunos acabavam de descobrir em novas dimensões e aprendizagens.
Este, é um trabalho a longo prazo. A Educação, mesmo em tempos de turbilhão global, é um trabalho de longo alcance, é paciente e demorado. Estas, são as sementes possíveis. Reiteramos: “o futuro do planeta, em termos sociais e ambientais, depende da formação de cidadãs/ãos com competências e valores não apenas para compreender o mundo que os rodeia, mas também para procurar soluções que contribuam para nos colocar na rota de um desenvolvimento sustentável e inclusivo”.
É importante que o impacto destas iniciativas seja aferido como parte de uma avaliação formadora. Assim, no regresso à sala de aula (na escola) os alunos terão a oportunidade de manifestar, das formas que os respetivos docentes entenderem como mais adequadas, que aprendizagens significativas foram realizadas. Só assim pode ser entendida a pertinência desta modalidade de aula (fora da escola), para além das competências interpessoais desenvolvidas, do espírito de equipa e do convívio que são dimensões de relevo na formação pessoal e social dos alunos e docentes.
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