Militares do NRP Mondego recusaram saída para acompanhar navio russo ao norte do Porto Santo

É uma história algo rocambolesca, a passada com o navio patrulha “NRP Mondego”, destacado para a Zona Marítima da Madeira, e que faz lembrar os famosos “motins”, actos de insubordinação a bordo dos navios, que antigamente eram punidos com chibatadas e enforcamentos no mastro grande. Mas o FN não quer ironizar com uma situação em que os marinheiros invocam a sua segurança. O que é certo é que a Marinha Portuguesa emitiu um comunicado na sua página oficial na Internet, confirmando que 13 militares do “NRP Mondego” recusaram ocupar os respectivos postos na preparação da largada para execução de uma missão, na noite do dia 11 de Março. A missão, imagine-se, consistia no acompanhamento de um navio russo ao largo do Porto Santo, refere a agência Lusa, e nesse dia o navio encontrava-se com uma avaria num dos motores.
Diz a Marinha que a missão atribuída ao NRP Mondego era de curta duração e próxima da costa, com boas condições meteo-oceanográficas.
“O estado de prontidão dos navios é avaliado, em primeira instância, pelo próprio comando deste, pela sua cadeia hierárquica e pela estrutura de manutenção da Marinha. O comandante do navio reportou à cadeia hierárquica que, apesar das limitações mencionadas, tinha condições de segurança para executar a missão. O Comando Naval (cadeia hierárquica) deu liberdade ao comando do navio para abortar a mesma em caso de necessidade superveniente”, refere a nota publicada.
“Os navios de guerra, sendo um conjunto de sistemas muito complexos e muito redundantes, podem operar em modo bastante degradado sem impacto na segurança. Essa avaliação, mais uma vez, pertence à linha de comando e à Superintendência do Material, enquanto entidade técnica responsável. Ambas as entidades não consideraram estar o navio inseguro para navegar.
As guarnições dos navios são treinadas para operar em modo degradado, estando preparadas para lidar com os riscos inerentes, o que faz parte da condição militar.
Quatro sargentos e nove praças do navio avaliaram que este não estaria pronto para navegar e recusaram-se a cumprir com a missão. No entanto, alguns referiram ao comandante que se a missão fosse salvar vidas iriam para o mar”, salienta-se.
“A avaliação das prioridades das missões e estado do navio segue uma linha hierárquica bem definida e estruturada na Marinha. Nesse sentido, cabe apenas à Marinha, e a sua linha hierárquica, a definição de quais os navios em condições de cumprir com as missões atribuídas.
Deste modo, os militares em causa, não cumpriram com os seus deveres militares, usurparam funções, competências e responsabilidades não inerentes aos postos e cargos respectivos”, refere-se.
“Estes factos estão ainda a ser apurados em detalhe, e a disciplina e consequências resultantes serão aplicadas em função disso”, declara a Marinha Portuguesa.

Mas a Lusa entretanto acrescentou, citando uma fonte da Marinha não especificada, que de acordo com um documento elaborado pelos 13 militares em questão, e ao qual  que a agência portuguesa de notícias teve acesso, no sábado à noite o NRP Mondego recebeu ordem para “fazer o acompanhamento de um navio russo a norte do Porto Santo”, numa altura em que as previsões meteorológicas “apontavam para ondulação de 2,5 a 3 metros”.Os 13 militares afirmam que o próprio comandante do NRP Mondego “assumiu, perante a guarnição, que não se sentia confortável em largar com as limitações técnicas” do navio.

Entre as várias limitações técnicas invocadas pelos militares constava designadamente o facto de um motor e um gerador de energia eléctrica estarem inoperacionais.

Acrescia ainda, de acordo com os 13 militares, que o navio “não possui um sistema de esgoto adequado para armazenar os resíduos oleosos a bordo, ficando estes acumulados nos porões, aumentando significativamente o risco de incêndio”, invocam os militares “revoltosos”.


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