A Nossa Diversidade Cultural

É cada vez mais evidente observarmos ao nosso redor, local de trabalho, bairro, vila, freguesia, cidade, a existência de uma panóplia de diferentes situações no âmbito da diversidade cultural. Então numa terra tão turística como a nossa é perfeitamente habitual relacionarmo-nos, diariamente, com pessoas de diferentes culturas. Fruto até dos diversos processos migratórios que fomos tendo ao longo dos tempos.

Tanto para os que cá chegam, como para nós que os acolhemos, implica aceitarmos um processo de adaptação, a uma nova forma de viver, a uma nova cultura, pois agimos de formas diferentes uns dos outros. Mas, infelizmente, nem sempre tudo corre bem, porque alguns cidadãos não compreendem ou não aceitam facilmente a presença de forasteiros.

Temos que ter consciência que tudo terá mais sentido coletivo, se a nossa sociedade for aberta e inclusiva. Pois até dentro de cada família e grupo de amigos, há, por vezes, uma grande diversidade de cultura, oriunda de várias partes. O problema é quando alguns, direta ou indiretamente, não aceitam as minorias, não os permitindo interagir com a comunidade local e pressionando até a sua exclusão. Como se a presença destas minorias viesse enfraquecer a integridade e autenticidade da cultura local.

Há que não esquecer que Portugal sempre foi um país acolhedor, as comunidades ciganas, por exemplo, estão no nosso país, há mais de cinco séculos. A influência dos muçulmanos está inerente na cultura portuguesa. A comunidade africana, brasileira, países de leste, chinesa, entre outras, é cada vez maior no nosso país – e ainda bem.

É tudo uma questão de cultura. Pois a forma como encaramos a cultura, influência a forma como vivemos e entendemos a nossa identidade e a identidade dos outros. Quando interagimos com alguém de outra cultura, pode acontecer dificuldades na comunicação e compreensão mútua, o que até pode levar a comportamentos desagradáveis, conflitos e situações discriminatórias, como os estereótipos e os preconceitos. Um caso concreto – entre outros tantos –, é o que está a passar-se com a comunidade curda em França.

Temos que aceitar naturalmente, sem discriminação, as características das pessoas que pertencem a um determinado grupo, raça, cor, sexo, nacionalidade, origem étnica, orientação sexual, identidade de género, ou outro fator.

Está bem plasmado na Constituição da República Portuguesa, no artigo 13, ponto n.º 2, que “Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual”.

Assim sendo, vamos aproveitar o ano de 2023 para refletir acerca da diversidade cultural que existe ao nosso lado. Aproveitar também o novo ano para desenvolvermos a nossa humildade cultural, pois não sabemos tudo sobre os outros e temos que estar abertos ao que ainda não aprendemos. Só assim, poderemos crescer e promover a equidade e a inclusão das pessoas com quem interagimos, para termos uma sociedade cada vez melhor.