Silvestre Abreu elucida alunos do “Liceu”: “A diabetes é uma epidemia global fora de controlo”

“Poderá a pandemia da diabetes ser prevenida? Se não for agora, quando será?”. Esta interrogação foi o tema central da conferência do médico Silvestre Abreu, hoje, na Escola Secundária Jaime Moniz. Uma iniciativa dinamizada pelo Projeto de Saúde e Blogue de Memórias, também para assinalar o Dia Mundial da Diabetes, que hoje se comemora.

A presidente do Conselho Executivo da ESJM, Ana Isabel Freitas, deu as boas-vindas ao orador, aluno do “Liceu” há 50 anos, e frisou a pertinência do evento: “É importante sair da nossa sala de aula para podermos refletir sobre as problemáticas que afetam a nossa saúde e fazer a prevenção”.

Silvestre Abreu, no seu registo direto e assertivo, lembrou que as Nações Unidas fizeram a sua parte de reconhecer a diabetes como “uma doença não contagiosa e transmissível, mas como uma ameaça ao desenvolvimento das sociedades”.

O responsável pelo Serviço de Endocrinologia do SESARAM, munido de diapositivos ilustrativos dos recentes estudos e dados estatísticos, fez um discurso realista sobre o tema que o levou ao “Liceu”: “A diabetes é uma epidemia global fora de controlo”. Também traçou uma analogia com a Covid 19: “Também a Covid parece que está controlada mas não desapareceu e os dados apontam para o aumento. A única arma que dispomos é a vacinação”.

Evocando os últimos dados do Atlas da Diabetes, de 2019 – os dados mais recentes serão divulgados dentro de semanas – Silvestre Abreu recordou que as estimativas eram de 463 milhões de diabetes. A Federação Mundial da Diabetes alerta ainda para o facto de, cerca de metade, nem sequer estar diagnosticada. Em 2030, a tendência é os números dispararem para 578 milhões.

É neste contexto de perigoso crescimento desta pandemia diabética, sobretudo associada ao crescente e preocupante problema da obesidade, que a Federação Internacional da Diabetes recorre ao lema: “Se não for agora, quando será?

 

Apesar da frieza e gravidade dos números, o diretor do Serviço de Endocrinologia do SESARAM colocou também o enfoque da sua intervenção no facto de a diabetes poder e dever ser prevenida, nomeadamente a diabetes tipo II. Entre as várias medidas enumeradas, desde a alimentação saudável ao exercício físico, preconizou também que os governos adotem a discriminação positiva na fixação dos impostos, ou seja, isentar de impostos os alimentos saudáveis.