Irmã Dominicana Susana Tchilombo acredita que “Deus continua a chamar, está em nós aceitar o convite”

Uma conversa amena, entre o FN e as Irmãs Susana Tchilombo e Maria Adelaide Antónia, nos jardins da cidade. Fotos FN

Nos dias que correm, Cristo continua a chamar os jovens às vocações, mas é preciso saber escutar a voz de Deus. Quem o afirma é a Irmã Susana Tchilombo, missionária das Irmãs Dominicanas de Santa Catarina de Sena, que celebram neste domingo, o seu 154.º aniversário. Concorda com a “crise de vocações” numa conjuntura de muitas “configurações e mudanças sociais”. Mas, com um sorriso rasgado, olhar doce e firmeza na voz, assegura com Fé: “Deus continua a chamar. Está em nós escutar. O problema é a pessoa abrir o seu coração à escuta. Em todos os tempos e de muitos modos, o chamamento de Cristo continua presente e atual”.

29 anos de consagração desta consagrada angolana, ao serviço da caridade.

Angolana de nacionalidade mas com uma experiência de serviço na Madeira de dois anos, a Irmã Susana Tchilombo é a Superiora da Congregação das Irmãs Dominicanas na Região, funcionando no 54 do  Caminho do Poço Barral, em Santo Amaro.

Em 1953, esta congregação chegou à Madeira e teve por principal missão amparar as crianças em conflito com as famílias, funcionando no Abrigo de Nossa Senhora de Fátima – a sede – em Santo Amaro. Ali iniciariam o seu carisma, fazendo sempre o bem, a caridade.  Há cerca de 3 anos, a missão destas consagradas deixou de ser a orientação e acolhimento de crianças e jovens com conflitos familiares para prestar apoio à paróquia de Santo Amaro, até porque, neste momento, a instituição conta com o contributo de apenas quatro irmãs consagradas.

Pobreza camuflada

O acolhimento aos jovens deixou de ser feito, até pela escassez de consagradas, para ser mais um braço de apoio da paróquia aos mais carenciados, inclusive com visitas domiciliárias. Nesta missão, confrontam-se com muita pobreza, mas com uma roupagem camuflada, porque as pessoas não querem manifestar a sua situação. Algumas vezes, desconhecem os apoios e os seus próprios direitos. As Irmãs Dominicanas também prestam um serviço de informação aos paroquianos de Santo Amaro no sentido de procurarem os apoios oficiais disponíveis, assim como o esclarecimento dos seus direitos, numa pedagogia caritativa de amor ao próximo.

Suzana Tchilombo e Maria Adelaide Antónia: uma vida ao serviço do outro.

Tinha 9 anos quando a imagem das irmãs lhe ficou bem marcada no seu coração. Um dia, conheceu uma mulher evangélica que a sensibilizou, embora a mãe alertasse para a importância de seguir o exemplo da Igreja Católica na missão da caridade. Há cerca de 29 anos, consagrou a sua vida ao serviço de Cristo, primeiro nas Irmãs Doroteias e depois nas Dominicanas, numa missão de doação aos outros. Uma entrega a Cristo com o carisma da caridade e do serviço.

As Irmãs Dominicanas fazem 154 anos de fundação, no dia 13 novembro. A principal necessidade desta comunidade na Madeira resulta do facto de a comunidade estar reduzida a apenas 4 irmãs consagradas, quando já tiveram uma comunidade maior. Outro grande desafio é “chegar à juventude, que tantas vezes nem  sequer aparece na Igreja”.

Por isso, a Irmã Suzana, sempre com um sorriso de confiança, deixa uma mensagem aos jovens: “Que se disponham a ouvir. Há muitas vozes por aí mas Jesus continua a chamar. O importante é que as pessoas prestem atenção e se disponham a aderir ao convite de Jesus que é sempre atual”.