A correr para a Presidência do Governo? Pedro Calado confessa que quer fazer dois mandatos na Câmara para deixar marca forte na cidade

Foto André Ferreira.

O presidente da Câmara do Funchal tem uma agenda diária de inúmeros eventos. Tudo com uma disciplina férrea e mediatismo. Há quem pergunte: Pedro Calado corre para a presidência do Governo Regional, sucedendo Albuquerque? O presidente revela que a sua preferência é fazer dois mandatos à frente da CMF e manter sempre a lealdade a Miguel Albuquerque, acima de eventuais intrigas ou divisionismos, para os quais diz estar, tal como Albuquerque, vacinado.

Calado lembra que, quando entrou no governo, o partido estava numa situação difícil. “Fui chamado de louco por sair do privado e ir para um governo decadente, abandonado, em que toda a gente já dava o dr Paulo Cafofo como presidente do governo, em 2019. Eu, na altura, entrei com uma missão: ajudar com trabalho aquilo que o governo tinha de fazer e porque acreditava no meu partido. Trabalhámos juntos, em 2 anos fizemos um volte-face da situação e ganhámos as eleições em 2019, embora com coligação. Se eu estivesse preocupado com o governo eu nunca teria saído de vice-presidente do GR. Houve muita gente que me disse que estava a dar um passo atrás, arriscando-me a ser presidente da CMF. Mas eu disse que não estava preocupado com nenhum lugar político. Se tiver um dia que acontecer será tudo muito natural”.

De resto expressa total lealdade a Miguel Albuquerque. De forma determinada e com o olhar firme, clarifica: “Enquanto ele for vivo e enquanto ele quiser, ele vai permanecer e eu vou ajudá-lo sempre a ser presidente do partido e presidente do GR. Portanto, enquanto ele aqui estiver e quiser estar naquelas funções, eu vou sempre ajudá-lo a ser presidente . No dia em que ele não quiser e tome outras decisões, se eu tiver vontade e tiver capacidade e se tiver reunidas condições, então pensamos noutras coisas. Mas para lá chegar é preciso que façamos um bom trabalho, estejamos onde estivermos. Sinceramente gostaria de fazer 2 mandatos na CMF porque um é muito reduzido para implementarmos muitos projetos. Eu gostava de deixar una marca muito forte e firme na cidade do Funchal com a minha gestão autárquica. Quatro anos é muito curto para fazer isso. Ate 2025 é praticamente impossível implementar tudo. Portanto, em 2025, gostaria de ser novamente candidato à CMF para concluir os investimentos até 2029. Depois, logo se verá o que o destino trará”.

Vacinado contra divisões

O episódio recente da falta de convite para a  festa do PSD/M no Chão da Lagoa deu que falar mas parece estar sanado. Já fez as pazes com o presidente GR? Calado responde de forma imediata: “Nunca  estive aborrecido. Eu e o Dr Miguel Albuquerque estamos vacinados sobre algumas tentativas de nos criarem conflitos internos. Quanto a isso, levámos 6 a 7 doses de vacina a mais do que o recomendável para o covid. Já trabalhamos juntos desde 2005 e não foi a primeira nem a última tentativa de nos tentarem desestabilizar internamente”.

Mas é facto que não houve convite a Calado para o arraial do partido. O presidente clarifica: “O facto de não ter havido convite talvez tenha partido de outras pessoas, que não do presidente do governo, neste caso, do presidente do partido. Quanto a isso estou muito bem resolvido relativamente ao presidente do partido. Já falámos desse tema. Não é preciso criar dramas. Até me sinto leve e descomprometido, porque, na minha opinião, acho que numa festa daquelas, popular, partidária, só deveriam falar duas a três pessoas no máximo. Agora, como se prevê a presença do dr Luís Montenegro, é de bom tom que ele fale. Mas para além do presidente do partido a nível regional, não é preciso que fale mais alguém. Porque carga de água falará o presidente da CMF? Para isso tinham de falar todos os outros presidentes… Porque falará o secretário geral se está lá o presidente do partido? Pode falar o presidente da JSD, ok, mas teria também de falar o presidente dos TSD…seriam logo 5 a 6 pessoas a discursarem e, além do mais, julgo que quem estava preocupado com a presença de alguém para falar, é alguém que não tem muito palco para poder falar. Não é o caso do presidente da CMF que, felizmente, por força de todas as circunstâncias consegue falar todos os dias. Tudo o preciso dizer à população, digo-o diariamente. Portanto, eu nunca precisaria do palco do Chão da Lagoa para poder falar”.

Madeira ganhou com o congresso do PSD, pois terá outro peso a nível nacional. Foto Lúcia Pestana.

Congresso do PSD

Pedro Calado foi ao Congresso nacional do PSD, no passado fim de semana, e regressou com a nomeação para vogal do Conselho Nacional do PSD. O que a Madeira ganha com isso? Calado explica:  “A Madeira durante muitos anos beneficiou de uma aproximação e ao mesmo tempo algum distanciamento com o continente e os seus governos. O dr Alberto João Jardim habituou-nos, no sue período de governação, e bem, a ser uma pessoa com contactos no exterior e ao mesmo empo muito reivindicativo. Com o tempo e com os governos socialistas, nós sentimos um afastamento muito grande por parte do governo central em relação à Madeira. A prova disso é que temos muitos projetos e muitos problemas que se têm vindo a arrastar-se ao longo do tempo e não há soluções. Há promessas mas não há soluções. Poderia enumerar o subsídio de mobilidade, o transporte marítimo, a revisão da lei de finanças regionais ,o centro internacional de negócios, só resolvido agora mas com muita pressão política, etc… etc..”

Amigos de longa data, Montenegro pediu apoio para a sua candidatura nacional a Pedro Calado e naturalmente a Miguel Albuquerque. A resposta foi positiva mas com condições, ora satisfeitas: “Eu disse-lhe:  vais contar sempre com o meu apoio porque acredito na tua “escola”, na tua formação, conheço o teu percurso político e sei que tens consciência dos problemas da Madeira. Mas contas comigo na mesma proporção em que tu conseguires resolver os problemas da Madeira ou ajudar a Madeira. Assumimos o compromisso. Nesta última eleição de Luís Montenegro, houve um compromisso do PSD/M em ajudar a sua candidatura na mesma proporção em que se comprometesse em apoiar os problemas autonómicos da Madeira e Açores. Houve esse compromisso, agora efetivado. Miguel Albuquerque presidente à Mesa do Congresso, e eu com o 5 lugar no Conselho Nacional, e um lugar praticamente assente na comissão política, ou por via do dr Miguel Albuquerque ou pela JSD ou até por mim… Isto é sinal de uma grande abertura do PSD Madeira ao PSD nacional. Atendendo à instabilidade governativa socialista, que estamos a verificar, nós temos que nos apresentar fortes, muito coesos, e com uma dinâmica completamente diferente, de abertura, de diálogo e de trabalho conjunto com o governo central para prepararmos alternativas para o futuro. É esse caminho que se está a fazer”.

O próximo compromisso é Luís Montenegro vir em julho à festa do PSD ao Chão da Lagoa e também em Setembro. Também mais para a frente fará uma semana com a Madeira, como fará em vários distritos do país, bem como nos Açores.