José Manuel fala claro sobre a coligação: começou por ser casamento de conveniência, passou a estável e tem condições para durar

Rodrigues ao FN: “A coligação é um casamento que começou por ser de conveniência, que se transformou num casamento estável e com condições para durar”. Fotos Amílcar Figueira

A situação do CDS no contexto político partidário regional e o governo de coligação são questões sempre em cima da mesa. A questão é também esta: CDS em rota de sobrevivência ou em extinção? José Manuel Rodrigues vai aos números e pede serenidade na análise dos acontecimentos: “O CDS já foi uma força partidária maior na Madeira. Já tivemos 9 deputados, depois 7 e agora 3. Mas é uma força significativa no panorama político regional. Obviamente que, por estar em coligação com um partido maior, retira-lhe algum espaço e alguma autonomia e até alguma identidade. Mas isso também tem a ver com este percurso destes três anos, em que tivemos uma pandemia, com dois anos a resistir, e muito bem, a uma crise sanitária, económica e social, com consequências gravíssimas que ainda estamos a recuperar. O CDS teve um papel preponderante nesta coligação. Foi um garante da estabilidade política, da governabilidade da Madeira”.

Olhando para a realidade destes três anos de coligação, José Manuel Rodrigues faz contas e lembra aos críticos: “O CDS foi capaz de garantir isto: garantir a estabilidade política, criar, de raiz, duas Secretarias Regionais, Economia e do Mar, e transformar a presidência do Parlamento, para o bem ou para o mal, as pessoas avaliarão depois a minha ação. Portanto, este é o nosso capital político no seio da governação. Gostaria de salientar que houve mais estabilidade política nestes últimos anos, com o Governo da coligação, do que no anterior governo de maioria absoluta do PSD, na legislatura 2015-2019”.

Face aos factos, José Manuel Rodrigues, faz esta leitura: “A coligação é um casamento que começou por ser de conveniência que se transformou num casamento estável e com condições para durar”.

O presidente vai aos factos e trá-los à discussão: “O CDS deu a mão ao PSD para o governo”.

Por isso, é positiva a perspetiva – mais do que confirmada – da coligação pré-eleitoral com o CDS. Está a par de algumas bocas que correm nos corredores da política, sobretudo de que o PSD é uma espécie de boia de salvação do CDS. E replica: “A minha pergunta é: e em 2019, não foi ao contrário? Não foi o CDS que foi a boia de salvação do PSD? Na noite das eleições só havia uma garantia, após a contagem dos votos: o CDS ia ser governo nos dias seguintes na Madeira. O PSD, ou mantinha-se no governo ou ia para a oposição. Nessa altura, o CDS fez a escolha correta, na minha opinião, cumprindo aliás a sua palavra. Nós fazíamos coligação com quem ganhasse as eleições. Ganhou o PSD e o CDS deu a mão ao PSD para o governo”.

Deslumbrado com o poder?

Para algumas franjas da sociedade, José Manuel Rodrigues poderá estar deslumbrado com o poder, sendo o principal representante do Parlamento. A resposta é categórica: “Nunca. Aprendi uma coisa na vida com os meus pais: quando estiveres a subir na vida, nunca te esqueças de quem está a descer, um dia poderá acontecer ao contrário. Portanto, eu sigo esta máxima, tenho a perceção de que o poder é efémero e estou bem consciente de que a política é um serviço”.

Outra nota curiosa deixada pelo presidente é a de que, apesar da sua agenda institucional, não perdeu o contacto com os militantes, mesmo de forma discreta, para manter um distanciamento das lides partidárias. Mas contacta-os. Há dois dias, refere que esteve no Paul do Mar, freguesia do CDS, em contacto com alguns militantes.

 

Política como serviço e não como deslumbramento.