Rita Andrade dá “aula” no “Liceu” sobre desemprego e pobreza e pede “atitude” aos jovens no combate aos obstáculos

Fotos João Ornelas.

Uma “aula” diferente com os estudantes a apresentarem e orientarem o diálogo argumentativo sobre um tema de primordial importância: “Como combater o desemprego e as manchas de pobreza?” A oradora convidada foi a Secretária Regional da Inclusão Social e da Cidadania, Rita Andrade, que falou hoje ao coração dos alunos da Escola Secundária Jaime Moniz, com números e estratégias, na sala de ambientes inovadores de aprendizagem “Luís Miguel de Sousa Classroom”.

Rita Andrade facultou números e tantos outros dados sobre o tema mas a pedra angular da sua comunicação foi desafiar os jovens a investirem nas competências interpessoais, nas chamadas soft skills, para terem sucesso no futuro, sempre de mãos dadas com a evolução tecnológica e a formação. A “atitude” faz certamente toda a diferença na demanda do emprego.

A palestra foi dinamizada no âmbito da disciplina de Português, em interação com a disciplina de Economia, e contou com a participação ativa dos alunos do curso CEF62 de Informação e Animação Turística (12.º ano) e do curso Científico (11.º3), com os objetivos de sensibilizar os jovens para a realidade do desemprego na Região, os programas de emprego ao dispor da população, e a pobreza.

Rita Andrade procurou, de forma resumida mas clara, mostrar o quadro evolutivo das taxas de desemprego na Região e as causas associadas. Sem paliativos e com humildade, deixou bem claro que não há “milagres” no combate ao desemprego, um verdadeiro “flagelo social” e um fator inevitável de pobreza. Mas lembrou sempre que é de crucial importância que a economia funcione. “Só com uma economia pujante – o que não aconteceu na pandemia – é que o desemprego desce com toda a certeza”.

Muito documentada com os números e com uma componente fortemente humanística na gestão dos dossiers, a titular da Inclusão Social e Cidadania revelou que “a Madeira tem 14 mil pessoas em situação de desemprego”, o que representa uma grande preocupação para o Governo. A grande prioridade é o combate ao desemprego jovem, situação que tem melhorado ligeiramente. Também com frontalidade, recordou que tudo isto são “processos dinâmicos”, em que o Governo Regional “apoia” mas não controla.

Rita Andrade elencou ainda as várias medidas de emprego para os jovens e as estratégias de combate ao desemprego em geral.

Os estudantes organizaram um diálogo argumentativo com a oradora, com o objetivo de colocarem as suas dúvidas. A todas elas, a secretária regional procurou incutir uma cultura de superação dos problemas, ou seja, apostar sempre na superação das dificuldades, na atualização permanente da formação e, no fundo nas “soft skills”. Aliás, a governante colocou mesmo o enfoque na “atitude” como essencial para singrar no mundo do trabalho.

Outra ideia essencial desta conferência prende-se com o fato de levar os jovens a lutarem pelo trabalho e não alinharem no coro de alguma franja populacional que prefere viver à sombra dos apoios sociais, perdendo assim grandes oportunidades de afirmação pessoal e profissional e até de acautelar a sua reforma.

Relativamente aos dados da pobreza na Madeira, Rita Andrade defendeu que os números ainda são elevados, mas registam uma descida ligeira. Segundo os dados, de 2020 para 2021, a taxa de risco de pobreza ou exclusão social na Madeira desceu de 32.8 para 28.9. Neste sentido, o Governo divulgou recentemente a Estratégia Regional de Inclusão Social e de Combate à Pobreza para o período de 2021-2030, composta por 5 eixos, 15 objetivos e 97 medidas.