Presidente do GR crente na capacidade de resposta hospitalar e na manutenção do turismo na RAM

A situação de contingência em que a Madeira entrará a partir de sábado pode ser decretada na iminência de acidente grave ou catástrofe, ou quando é reconhecida a necessidade de medidas especiais de reacção, disse hoje o líder do executivo madeirense. Acompanhando a exigência de certificados de vacinação e de testes antigénio para quase tudo, até para ir ao cabeleireiro, Miguel Albuquerque dá conta, por outro lado, de que a RAM dispõe actualmente de 84 mil vacinas, o que, em seu entender, é suficiente para fazer face ao previsível aumento de pessoas que, com as medidas tomadas, e mesmo que renitentes, estão subtilmente a ser empurradas para a vacinação.

Perante o aumento do número de internados e de mortes, Albuquerque não teme a ruptura dos serviços: diz que há 128 camas disponíveis para o Covid-19 no Hospital, que apenas cerca de metade está preenchida e confia na capacidade de resposta. Incentiva, abertamente, à vacina, salientando que 58 por cento dos casos de doentes internados nos cuidados intensivos são de pessoas que “não estão vacinadas ou que recusaram a vacinação”.

Apesar de a Madeira estar neste momento na “lista vermelha”, o presidente diz que a situação hoje é bem distinta da de há alguns meses atrás, porque hoje há um grande número de pessoas vacinadas, sobretudo a população mais idosa e mais vulnerável. Referindo-se a um surto recente no lar de Gaula, salientou que não teve grandes consequências e que muitos idosos “até estavam assintomáticos”.

Manter a sociedade aberta traz a necessidade de um controle, disse, mas “onde nos devemos focar é no número de internados, e sobretudo de internados nos cuidados intensivos”, sendo o mais relevante a “capacidade de resposta hospitalar”. Resposta essa que, considera, está sob controle.

No que concerne ao eventual impacto sobre a actividade turística, o governante diz que até agora não se tem feito sentir. “A Madeira continua a ser encarada pelos mercados emissores como um destino seguro”. As actuais medidas tomadas visam precisamente conter a proliferação dos casos.

Questionado pelos jornalistas sobre a constitucionalidade das medidas hoje anunciadas, respondeu considerando-as “perfeitamente razoáveis”. Para Albuquerque, é perfeitamente constitucional “que uma pessoa infectada seja impedida de frequentar um meio onde pode contribuir para a difusão da doença”.

Sendo os testes antigénio actualmente financiados pelo Governo, Albuquerque considera que não será difícil aos cidadãos obterem facilmente um teste destes numa farmácia ou numa clínica, semanalmente.

Sobre as eventuais irregularidades no comércio e nos espaços, declarou que recentemente houve fiscalização, sendo detectadas cerca de 100 irregularidades. Fiscalizar todos os restaurantes, bares, entidades públicas e privadas é “impossível”, reconheceu, mas apelou à responsabilidade dos proprietários e dos utentes, e a sua colaboração.