Estepilha: CDS tem de ir a “Conselho de Guerra”…

Rui Marote
A pandemia foi a arma utilizada para adiar o Congresso do CDS e fazer perdurar no poder uma “alcateia” de interessados que não respeitam os estatutos do partido, decidindo como bem entendem e agradando a gregos e troianos.
No caso do CDS, não se trata propriamente de mandar alguém para o pelotão de fuzilamento, mas de responsabilizar quem está prestes a levar à extinção um partido com história na democracia portuguesa.
Hoje tudo se decide numa sala alugada de um hotel, donde são emanados os comunicados já redigidos e decididos, e aos quais os acólitos assistentes dizem somente Ámen… Estepilha!
O CDS, ao longo destes 47 anos, tem sido é único partido, dos históricos, que nunca teve uma sede própria. Tem número de porta graças ao aluguer, enquanto o prédio não coloque em perigo os funcionários do partido e os telhados resistam ao próximo Inverno. PSD; PS, BE e CDU têm património e as sedes pertencem-lhes.
Já o CDS, o “partido dos ricos”, viveu sempre à grande e à francesa, dando o que tinha e o que não tinha e contraindo dívidas. Vamos ficar por aqui; é assunto para o tal “conselho de guerra”, do foro interno.
Ao longo da história, o CDS sempre sonhou ser governo. Acontece que a noiva PSD nunca precisou dos centristas para nada. Eram humilhados e alcunhados de “Madeira Velha” e de senhorios.
Recordo que nos anos 70 e 80, o CDS, quando se apresentava a actos eleitorais, apresentava um governo sombra e até chegou a publicar um livrinho.
Anunciava o seu programa e ao mesmo tempo quem eram as caras que iriam ocupar as pastas governativas. Isto repetiu-se em três ou mais actos eleitorais. Gente de “peso” como o Dr. Francisco Costa – Finanças. saía-lhe sempre a fava, Engº Humberto de Ornelas era Economia, Engº Perry Vidal a Agricultura, Dr. Baltazar e dr. Cabral Fernandes eram outros… Foram sempre derrotados, embora muitos não fizessem parte das listas aos actos eleitorais.
Na ânsia de conquistar poder nos finais de 80 e anos 90, o CDS alterou a estratégia, recebendo desertores do PSD como candidatos em eleições autárquicas, como Egídio Pita, Fausto Pereira, Antero Vasconcelos, gente com passado vitorioso na Ponta de Sol, Câmara de Lobos e Calheta. Resultados, zero. E até com dificuldades a serem eleitos, como aconteceu em Santana, com a velha raposa do PSD, Manuel Agostinho do Barreiro.
Na História do CDS-Madeira, só três nomes estiveram no pódio. Baltazar Gonçalves, secretário de Estado do Turismo, engº Rui Vieira, deputado europeu, e nos dias de hoje José Manuel Rodrigues, presidente da Assembleia Regional. Quanto aos restantes, tudo o vento levou…
O CDS nas eleições regionais em 2011, obteve a maior vitória, sendo a segunda maior força na região, elegendo nove deputados. O actual presidente, Rui Barreto, hoje secretário da Economia e que herdou a APRAM a meio do mandato, e não distingue um cabo de uma corda, era o quinto da lista (eleito).
O secretário das Pescas, Teófilo Cunha, era o nono (eleito). A partir daqui foi sempre a descer e hoje o CDS tem três deputados, nos quais se inclui o actual presidente da Assembleia.
Todos sabemos como decorreram as conversações, num hotel do centro do Funchal. Alguns
ocupam lugares de destaque na nomenclatura governativa.
Quem tratou da sua vida foi José Manuel Rodrigues, que não precisou de emissários e coube-lhe a cereja no topo do bolo. Os centristas regionais tem uma comissão política bicéfala: Rui Barreto, presidente do CDS Madeira, e José Manuel Rodrigues, presidente do CDS Madeira por inerência (há mais presidentes que militantes). A pandemia de Covid-19 é capa de templo escondido para adiar o Congresso, indispensável para o mesmo não se realizar e colocar eventualmente no “muro de fuzilamento” os responsáveis pelo quero, posso e mando… Estepilha!

Descubra mais sobre Funchal Notícias

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.