Albuquerque diz aos empresários que é hipótese da RAM “regionalizar o SEF”

O líder do executivo madeirense revelou ter enviado no passado dia 17 uma missiva ao ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, pedindo que o mesmo intervenha, no âmbito dos seus poderes, para evitar que a greve do Serviço de Estrangeiro e Fronteiras se verifique. Tal, em seu entender, prejudicaria gravemente a Madeira, classificando mesmo o anúncio da mesma como “assustador”, na altura da reabertura do turismo do Reino Unido.

“Depois do esforço que fizemos no sentido de abrir a nossa economia ao turismo”, considerou que a greve do SEF iria “tramar” toda a recuperação económica e social da Região.

As palavras foram ditas no decorrer do Dia do Empresário, cujos trabalhos acontecem no Centro de Congressos da Madeira (Casino). E Albuquerque foi já avançando com a alternativa de “regionalizar o SEF”, caso Eduardo Cabrita não tome as medidas que o governante madeirense considera necessárias. “Regionalizamos o SEF e fazemos então nós próprios a contratação colectiva, e não temos mais greves para nos prejudicar mais uma vez”.

Referindo-se à actual crise pandémica, considerou-a “devastadora do ponto de vista económico e social”. Os únicos sectores que tiveram menos efeitos terríveis foram, citou, a construção civil e o imobiliário, por exemplo.

Enfatizando as medidas que o GR tentou sempre manter para ajudar as empresas a funcionarem e a economia a não estagnar completamente, mantendo diálogo com os empresários e as associações empresariais, Miguel Albuquerque sublinhou que “quem cria riqueza e desenvolvimento económico são as empresas”.

Queixou-se, por outro lado, do “abandono a que a Região esteve votada por parte do Estado”, como aliás, acusou, “já é tradicional nos últimos 500 anos”. Citou a necessidade da Região ir ao mercado internacional contrair um empréstimo de 458 milhões de euros sem aval do Estado, como outro exemplo do que quis dizer.

Referindo-se aos fundos do Plano de Resolução e Resiliência, declarou que o mesmo tem um problema a priori: “um atraso monumental”, decorrente da necessidade de aprovação em todos os parlamentos e senados de todos os países que constituem a União Europeia.

De qualquer modo, enfatizou, está previsto que a Madeira recebe cerca de 822 milhões de euros ao abrigo deste Plano. Os apoios às empresas, para além dos dinheiros ao abrigo dos orçamentos regionais, 164 milhões, que já foram quase totalmente executados pelo Governo, deverão cifrar-se, no PRR, em 136.2 milhões de euros. Em empréstimos, “uma negociação que fizemos à ultima hora”, 135 milhões, mais 115 milhões de euros, e ainda no REACT EU 32 milhões de euros. Isto fora aquilo que será negociado no próximo quadro comunitário de apoio”, referiu.

A partir de Outubro, haverá então mecanismos para recuperar a economia, opinou.

Terminou agradecendo aos empresários a sua resistência, coragem e determinação.