O PS-M criticou hoje a discrepância no discurso dos diferentes elementos do Governo Regional na abertura do segundo período lectivo. “As aulas deviam ter sido iniciadas com uma outra estabilidade e não com a informação e contrainformação que foi ocorrendo no período anterior à abertura deste segundo período”, considerou o deputado Rui Caetano, em conferência de imprensa.
O socialista lembrou que, a três dias do regresso às aulas, o presidente do Governo garantiu que toda a comunidade educativa seria testada, ao passo que, na véspera do início do segundo período, o secretário da Educação contradisse o chefe do Executivo e informou que apenas os professores seriam submetidos ao teste.
Rui Caetano assinalou o facto de o Executivo ter recuado e decidido testar todos os professores e funcionários, mas apontou que há uma certa discrepância no discurso dos governantes, uma vez que afirmam que as escolas são os locais mais seguros e decidiram enviar para o sistema do regime não presencial os alunos do 3.º ciclo e secundário, mantendo em regime presencial os 1.º e 2.º ciclos e os cursos profissionais. “A verdade é que assistimos todos os dias a alunos, professores e operacionais a serem infetados e o senhor presidente do Governo e o secretário regional da Saúde continuam a dizer que está tudo controlado”, afirmou o parlamentar socialista.
O deputado considerou que seria fundamental que, à semelhança do que acontece com o Governo da República, o Executivo madeirense se reunisse com os partidos da oposição e as entidades sociais e de saúde, «”de forma que todos, em conjunto, pudéssemos reflectir e ter a consciência daquilo que é necessário fazer”.
Ora, critica, esse diálogo não existe. “O Governo Regional fecha-se numa torre de marfim e toma as decisões sem ouvir quem pensa de forma diferente”, acusou, acrescentando: “Precisávamos de uma informação mais certa e mais consistente, para termos uma posição bem formada”.
Por outro lado, referindo-se aos alunos que estão no ensino à distância, Rui Caetano disse que, do ponto de vista das refeições para aqueles que são abrangidos pela ação social escolar, “mais uma vez o Governo Regional e a Secretaria Regional da Educação desvalorizaram a necessidade de articular e concertar com as escolas, com a segurança social e com as próprias autarquias uma solução para que estes alunos continuassem a ter acesso a refeições completas e a lanches”.
O socialista apontou igualmente que é preciso pensar atempadamente nas estratégias mais adequadas para a recuperação das aprendizagens. “É preciso dar os recursos, os meios e a autonomia às escolas, para que elas próprias encontrem as melhores soluções e estratégias para fazer com que estes alunos acabem por recuperar todas as aprendizagens que foram perdendo ao longo deste tempo”, sustentou, advertindo que muitos destes estudantes vão fazer exames nacionais e precisam de estar bem preparados.
A um outro nível, Rui Caetano acusou o Governo Regional de estar a “desprezar a criação de um plano regional de saúde mental escolar”, de forma a dar as respostas mais adequadas, uma vez que, afirmou, está provado que são os jovens que mais sofrem mentalmente com esta situação de pandemia. O deputado disse ser necessário colocar mais psicólogos nas escolas, mas considerou que tal não é suficiente.
“É preciso também um plano regional de saúde mental escolar, articulado com as diversas entidades de saúde, segurança social e as escolas”, para que se possa intervir, não só do ponto de vista da prevenção, mas também do tratamento de muitas destas situações.
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