Sindicato afirma que GR não quer valorizar carreira dos Vigilantes da Natureza

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O Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Regiões Autónomas, através da sua delegação da Madeira, veio comentar a discussão da carreira de Vigilante da Natureza da RAM, na Assembleia Legislativa da Madeira, para considerar que a secretária do Ambiente, Recursos Naturais e Alterações Climáticas, Susana Prada, deturpou a realidade.
O que Susana Prada expressou na ALRAM é enganador, considera o Sindicato, que considera que
dizer que “um Vigilante da Natureza ganha, no topo da carreira, o mesmo que um professor universitário recém doutorado” é só desonestidade intelectual e revelador do sectarismo existente contra a carreira destes trabalhadores. Na RAM, não há Vigilantes no topo da carreira. E têm milhares de horas de trabalho ao sol e à chuva, milhares de dias de trabalho passados nas ilhas, muitos deles sem conseguirem voltar a casa por causa do mau tempo ou falta de condições de navegação”.

O Sindicato afirma que um vigilante ganha pouco acima do ordenado mínimo, sendo necessário, para subir de nível, obter 10 pontos na avaliação. “75% dos trabalhadores tem 1 ponto por ano, logo, são 10 anos para passar ao nível seguinte. É só fazer as contas e perceber quantos anos demora a chegar ao topo da carreira”, desafia a estrutura sindical.

Dizer que “todos querem ir para as Desertas e para as Selvagens” e que “até há ”briga” e que é “preciso fazer escalas”… é só revelador de quem não sabe que nenhum Vigilante se pode esquivar ao trabalho ou às funções que lhes estão atribuídas e, as ilhas fazem parte delas. E como se organiza um trabalho que é feito em 365 dias por ano, sem escalas? E os Vigilantes da Natureza apresentam-se ao serviço 365 dias por ano – não falham 1 só dia! Dizer que ao vencimento mensal acresce o subsídio de risco e o subsídio de penosidade, nos dias em que exercem funções é tão-só deturpador do seu sentido de justiça”, assegura ainda a estrutura sindical.

“O suplemento de penosidade, é um direito de todo e qualquer funcionário do IFCN que esteja deslocado – e só nestas circunstâncias -, nas Desertas ou nas Selvagens. O suplemento de risco é um direito exclusivo dos Vigilantes da Natureza! Este suplemento faz parte da remuneração dos Vigilantes da Natureza desde 1993 e está estagnado há mais de 20 anos, ainda do tempo do escudo”, descreve a estrutura representativa dos Vigilantes da Natureza.

O STFPSSRA defende que a idade de reforma para todos os trabalhadores é aos 60 anos de idade ou 40 de funções. Não sendo excepção, na Madeira a proposta foi apresentada. Caberia ao Governo recusá-la, como fez a tantas outras. Se enviou tal proposta à Assembleia Legislativa Regional é porque a considerou justa e exequível. Pena que não lute para que seja uma realidade, refere o Sindicato.
Dos cargos de coordenação, o Sindicato contestou e não deu acordo à criação destes dois cargos, que mais não resultam senão na supressão de uma terceira categoria. A proposta apresentada foi exactamente no sentido oposto, pois contemplava a criação de três categorias, ficando a terceira com as competências de coordenação, o que o governo regional rejeitou, refere-se ainda em comunicado de imprensa.

“Do combate a incêndios, como fazê-lo quando apenas estão atribuídas duas viaturas ligeiras aos Vigilantes da Natureza? Impõe-se que responda como e com que meios é que este combate se pode realizar? E o porquê de ter sido expresso que os Vigilantes da Natureza têm de fazer combate a incêndios. Nem a “primeira intervenção e combate inicial” será possível efectuar ou sequer começar, por falta de meios.
Falar de 11 viaturas disponíveis é só desonestidade! As 11 viaturas a que se referiu Susana Prada estão ao serviço do Corpo da Guarda Florestal e não do de Vigilantes da Natureza. O que consta – e é pelos corredores -, é que serão entregues aos Vigilantes da Natureza algumas das viaturas que estavam ao serviço da Guarda Florestal, das que já estarão com centenas de quilómetros e com um currículo invejável de avarias”, denuncia o Sindicato.

“Da contratação de 8 Vigilantes da Natureza, diz que está prevista, mas também o diz sobre a contratação de Guardas Florestais ou de Sapadores Florestais. Falta mesmo é passar da palavra ao acto e mandar publicar os concursos. Enquanto isso não acontecer não vai passar do “diz-que-disse”…”, refere-se. O Sindicato conclui que “esta não é uma carreira que o Governo Regional queira valorizar”.