Relíquia da história do automobilismo “sucumbe” camuflada

Rui Marote
Um “tesouro” escondido no centro do Funchal vai resistindo às intempéries. Um autocarro septuagenário da Rodoeste, deixado na antiga garagem dos “batatas”, como era conhecida uma antiga família proprietária da empresa.
O autocarro “escondido” pela vegetação é da mesma época que este
Na Rua Conde Canavial, num terreno baldio infestado de ratos e de plantas invasoras, o autocarro está ao ar livre, “encarcerado” por duas portas metálicas, hoje fortificadas por uma muralha de blocos, protegido dos vândalos que teimavam no seu arrombamento.
Porém, os proprietários desta “jóia” do automobilismo não estão já no mundo dos vivos e os seus representantes “desconhecem” o tesouro perdido, qual relíquia digna de Indiana Jones.

No Funchal circula um autocarro dessa época, da ex-companhia da Camacha, que transporta turistas da Pontinha para o centro da cidade. Recordo também a companhia do Negus, com saídas em frente ao Golden e Junta Geral, na Avenida Manuel de Arriaga. Iniciava então viagens para a Rochinha, São João, e mais tarde Zona Velha da Cidade. Havia autocarros idênticos em diversas companhias, como São Gonçalo, Camacha, e também a Rodoeste.
O primeiro Clube na Madeira a ter um autocarro foi o União, com uma traseira redonda e mais antigo, e que transportava os atletas para o centro de estágio na Cancela, na época do treinador canário Roberto Garcia.
A Madeira tem um parque de automóveis clássicos muito invejável e daí partiu a ideia de um museu de carros antigos, muito falado durante o primeiro mandato de Eduardo de Jesus ,já com lugar marcado debaixo da estrada da Pontinha, pronto para avançar.
No Azerbaijão, em 2017, mais precisamente em Baku, visitámos o Centro Cultural Heydar Aliyev, uma obra soberba de arquitectura que na cave tinha um museu de carros clássicos de encher o olho. Nessa altura falava-se do museu na Madeira. Não resistimos e enviámos então para Eduardo Jesus fotos dessa exposição permanente. Até agora, o museu dos automóveis não avançou. Mas não é o único. Têm havido outros museus falados na Madeira e que não passam do papel.
Quanto a esta jóia, exposta ao ar livre, está rodeada de matagueira sucumbindo ao tempo.
Não foi fácil fotografar este esconderijo, e não é possível dar pormenores do estado do autocarro, devido à grande camuflagem de plantas invasoras que escondem este clássico.
Fica aqui o nosso apelo em salvar um património da história dos transportes madeirenses.