Presidente da CMF diz que Ordem dos Arquitectos pronuncia-se ao sabor do promotor da obra

O presidente da Câmara Municipal do Funchal, Miguel Silva Gouveia veio hoje a terreiro dizer que “caiu a máscara à direção da Secção Regional da Madeira da Ordem dos Arquitectos”.

Em causa, a defesa acérrima do património no caso da obra de Chorão Ramalho (obras em curso no hotel Quinta do Sol do grupo Estévão Neves) e a ausência de pronúncia sobre a construção de uma piscina no topo do Casino Park Hotel do Grupo Pestana (obra de Niemeyer).

Eis o que escreveu Miguel Silva Gouveia:

“[Ordem para Calar]

Caiu a máscara à direção da Secção Regional da Madeira da Ordem dos Arquitectos.
Recentemente a referida direção, dando “cumprimento às suas obrigações estatutárias em defesa do património edificado”, manifestou-se em carta aberta¹ dirigida à minha pessoa lamentando o prejuízo para a cidade de uma “mal estudada e negligente” reabilitação em curso por parte de um promotor e apelando à intervenção da CMF para a sua fiscalização, algo que foi prontamente efectuado. Essa carta termina com a manifesta disponibilidade para “contribuir activamente” na elaboração de um inventário com os aspectos arquitectónicos a salvaguardar e valorizar na cidade, em “estreita colaboração” com o município para evitar que, no futuro, a cidade fique sujeita à “perda de valor identitário, arquitectónico e cultural”.
Aceitando a suposta disponibilidade manifestada, a CMF solicitou à SRMOA uma apreciação sobre os impactos das obras de construção de uma piscina na cobertura de um dos mais icónicos edifícios regionais a nível de interesse arquitetónico como é o Casino Park. Assim, em linha com o teor das considerações plasmadas na carta aberta¹, foi solicitada uma apreciação sobre esta intervenção, embargada² em agosto passado pela CMF, de forma a assegurar que, tal como refere o PDM³, as mesmas “não diminuem nem prejudicam o interesse arquitetónico e o valor histórico-cultural do imóvel ou do conjunto edificado onde o imóvel se integrado”.
Este domingo, ao recusar⁴ (publicamente) pronunciar-se sobre algo que em Dezembro afirmavam ser uma obrigação estatutária, fica provado (também publicamente) que, para os visados, a propalada defesa do património arquitectónico que mereceu indignação pública, dependerá da identidade do promotor da obra ou, pior, de outro factor menos claro.
Equidade e transparência nunca carecem de confinamento.
P.S.: Um abraço a todos os arquitectos que não se revêm em fretes políticos.
¹https://www.facebook.com/238384982906164/posts/3524903014254328/
²https://www.funchal.pt/cmf-embarga-construcao-de-piscina-na-cobertura-do-casino/
³http://revisaopdm.cm-funchal.pt/images/PDF_SITE/versao_final/regulamento_versao_final.pdf
⁴https://www.dnoticias.pt/2021/1/10/246057-ordem-dos-arquitectos-remete-para-cmf-projecto-sobre-o-hotel-pestana-casino/”